Prefeito Fábio Gentil tem decepcionado fortes aliados que o conduziram junto com o povo à representatividade municipal. 


O advogado, empresário, ex-prefeito, por duas vezes e ex-deputado federal, caxiense Paulo Fonseca Marinho concedeu entrevista ao Repasse Informativo e falou das perspectivas para as próximas eleições municipais.

Considerado um político polêmico por se posicionar com veemência sobre as causas em defesa de sua terra, o advogado, empresário, ex-prefeito de Caxias e ex-deputado federal, Paulo Fonseca Marinho nunca deixou sua cidade mesmo sem mandato eletivo. Continua trabalhando em favor da população através dos serviços de comunicação regional. Tem atualmente como herdeiro político o seu filho, administrador, vice-prefeito do município e primeiro suplente de deputado federal Paulo Marinho Júnior, o qual, obteve uma expressiva votação no último pleito em Caxias e em todo o estado.

Paulo respondeu as perguntas do blog e se diz vitorioso diante das conquistas dele e de sua família, com o espaço conquistado através da amizade e do trabalho. PM fala da aliança de seu grupo com o prefeito Fábio Gentil e afirma que FG já não é mais o mesmo de antes. Como um dos políticos mais experientes do estado Paulo Marinho faz uma radiografia do atual momento político do município.

Repasse Informativo – Dr. Paulo como o senhor vê o atual cenário político local e suas conjunturas no tocante às próximas eleições municipais?
 Dr. Paulo Marinho –
 Quando fizemos uma aliança política com Fábio Gentil intermediada pelo pai dele, Zé Gentil fizemos uma aliança em cima de apenas uma causa: Caxias. Nada além do querer o bem da cidade nos motivou. Todos sabem que não sou movido a dinheiro nem a cargos públicos. Me recordo que após a eleição o Fábio perguntou o que eu queria no governo e como resposta teve a palavra nada. Disse que queria apenas que ele fizesse uma boa gestão, comprometida com a cidade e seus munícipes, e firmasse o compromisso de manter o grupo político que o estava levando ao poder no apoio a candidatura do Paulinho a deputado federal. Ele, não apenas concordou com tudo, como afirmou que se empenharia para eleger Paulinho deputado federal.

Mostrei a ele que com a expressiva votação para prefeito não gostaria de ter nenhum benefício da máquina pública bastaria uma boa gestão e eficazes mudanças na administração municipal. Sugeri que Fábio cuidasse da saúde e da educação, principalmente focando na atenção básica e na melhoria das condições do ensino municipal através de ferramentas inovadoras, resgatando programas que implantei como prefeito, como os laboratórios de informática nas escolas e as salas de leitura. Infelizmente nada disso aconteceu.

Ao assumir a Prefeitura Fábio sem necessidade buscou o apoio dos indivíduos que destruíram a cidade moralmente e economicamente, a exemplo de Ximenes, Mário Assunção, dentre outros conhecidos mercenários da política local. Na minha opinião contaminou a sua gestão e seu futuro político no intuito de fazer uma base política própria desprezando as forças políticas que o conduziram ao poder apostando apenas no “prestígio” da máquina pública como fator capaz de o reeleger. Fez a mesma aposta da família Coutinho. O resultado está aí.

– Repasse Informativo – Na sua opinião o Paulo Marinho Júnior pode sair candidato a prefeito de Caxias nas próximas eleições?
 Dr. Paulo Marinho –
 Paulinho tem construído um caminho político próprio. Tem sua própria liderança, seus amigos e admiradores. Paulinho tem uma formação ética e política de excelência portanto só a ele cabe definir seu futuro político. Nem eu nem Márcia interferimos no destino pessoal e político dele. A decisão que ele tomar terá o nosso irrestrito apoio, pois sabemos da forma responsável como ele conduz o seu próprio destino.

– Repasse Informativo – o senhor acredita que possa haver uma aliança entre Paulo Marinho Júnior, Adelmo Soares e Cleide Coutinho, abrindo mão da cabeça de chapa pela cadeira na Câmara Federal por quatro anos?
 Dr. Paulo Marinho –
Não temos em mente nenhuma política de alianças. Sabemos que o cenário político futuro em Caxias está indefinido. Sabemos também que uma fraude descomunal foi feita nas últimas eleições agora. Debelar a fonte da fraude é prioridade senão o cenário municipal será igual aquele da eleição onde Humberto elegeu todos os vereadores exceto um que foi logo após as eleições cooptado. Resolver isso é a prioridade. O cenário político local será cheio de novidades e dependerá da atuação política em favor da cidade que cada um dos eleitos possam ter. O cenário não é dos melhores. O Estado, sabemos, passa por sérios problemas de caixa. A União passará por ajustes na economia nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, e a Prefeitura que nesses dois primeiros anos teve um caixa “surtido” com emendas e repasses fundo a fundo conseguidos através da influência de alguns políticos já não terá as mesmas facilidades .

O grupo que trabalhou pela não eleição de Paulinho a deputado federal, na verdade, causou um prejuízo sem dimensão a cidade de Caxias que perdeu a oportunidade de ter seu vice prefeito em defesa da cidade nesse momento de indefinição na economia nacional. Eu diria que Fábio Gentil e seus comandos, além de alguns familiares, ao apostar no Cléber Verde em detrimento do Paulinho deram um tiro no pé e penalizaram a própria cidade e a gestão municipal. Quanto a Dra. Cleide e ao Adelmo ambos foram eleitos na base de apoio do Flávio Dino com a decisiva ajuda do governo do Estado que drenou prefeitos e lideranças para apoiar a ambos, sendo assim terão no mandato a oportunidade para se legitimarem e aí sim terem apoio popular.

Repasse Informativo- Qual mensagem você deixaria aos seus conterrâneos caxienses?
 Dr. Paulo Marinho –
Minha mensagem aos caxienses é de esperança. Sempre afirmo que Caxias é muito maior que a geração política que a conduz. Às vezes fico pensando que nos últimos quinze anos foi fabricada uma geração de caxienses sem esperanças, sem sonhos…uma geração acostumada apenas ao “se dá bem”…um pequeno grupo que fez fortuna roubando a Prefeitura da cidade virou exemplo para que outros queiram fazer a mesma coisa. A cidade deixou de ser pensada, planejada, amada. Deixamos de crescer no período de bonança do Lula por miopia e ganância dos que conduziam a cidade e agora não temos qualquer planejamento ou visão de futuro. Me recordo que quando prefeito montei uma equipe formada por caxienses extremamente preparados que rediscutiram o amanhã da cidade e montaram um plano de desenvolvimento que projetou Caxias para o Brasil e para o mundo. No início do governo Fábio Gentil tentei ajudar a cidade montando e trabalhando no projeto do Porto Seco que seria um canal de desenvolvimento capaz de trazer diferenciais e tirar os caxienses do “empreguismo público”, que acaba sendo um instrumento escravocrata da pior qualidade, pois serve para manter a hegemonia política através da troca do emprego pelo voto…mais uma vez o Fábio não adotou o projeto e sequer desapropriou a área para que o Porto Seco pudesse começar a existir. Percebi que esse tipo de projeto não se alinha com um pequeno grupo que aos poucos foi ocupando o espaço de poder da Prefeitura. Esse pessoal, infelizmente, ainda não entendeu que a Prefeitura pertence aos munícipes e não a grupo político.

Que os recursos públicos dever ter serventia ao bem comum e não a montagem de estruturas econômicas, pessoas e familiares. Mas, erros políticos tem preços e são pagos quase sempre com juros e correção monetária. Eu tenho certeza que Caxias mais cedo ou mais tarde resgatará sua vocação de desenvolvimento. Agora com a descoberta da maior bacia de gás da América Latina aqui na nossa região urge à iniciativa privada assumir a liderança desse debate, sem esperar muito dos políticos locais. Sempre digo: Caxias é bem maior que tudo que está aí. Talvez por isso, respondemos bravamente aos ataques que recebemos de forasteiros, que aqui se instalam, para furtar a cidade ou de caxiense ambiciosos que no afã de fazer fortuna fácil destroem os valores mais nobres de toda uma geração, promovendo descrença nos políticos e desilusão ao povo. Isso tem motivado a saída de muitos jovens para os grandes Centros e privado a cidade de suas melhores cabeças pensantes, a exemplo de jornalistas como Alberto Pessoa, ou de pesquisadores e cientistas caxienses mundo afora.

Repasse Informativo