Família Lopes destaca a garantia de atendimento à pequena Isabelly Sophia. (Foto: Márcio Sampaio) 
Com sete meses de vida, Isabelly Sophia Nascimento Lopes recebeu atendimento integral do serviço de assistência a crianças com cardiopatia congênita na rede pública. A família Lopes comemora o sucesso do primeiro procedimento realizado no coração de Isabelly. Esta cirurgia, de caráter paliativo e feita no Hospital do Coração (HCOR), em São Paulo, foi viabilizada pelo serviço de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
A intervenção cirúrgica estabeleceu o adequado fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco de Isabelly Sophia, criando um caminho alternativo, popularmente chamado de ponte. Mais duas intervenções ainda serão feitas no próximo ano para manter o correto funcionamento do coração.
A luta de Thiago e Roberta Lopes, pais da menina, iniciou há dois meses quando surgiram manchas roxas pelo corpo de Isabelly e dificuldade para respirar após cada mamada. “Começamos a observar a força que ela fazia para mamar e ao acabar um choro sofrido como se estivesse sentindo dor. Minutos depois, ela ficava roxa nos lábios, dedos e pescoço. Corri para o posto de saúde e daí em diante a luta apenas iniciou. Fomos a quatro cardio-pediatras até que o último fechou o diagnóstico com um laudo”.
Com o laudo em mãos, Thiago e Roberta saíram de Caxias, local onde moram, para buscar ajuda em São Luís. A cirurgia precisava ser feita em outro estado. Assim, os pais deram entrada com processo no serviço de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e aguardavam a liberação do procedimento. “Voltamos para Caxias e a agonia só aumentava. Tinha muito medo de perder minha filha. Cada dia que passava ela tinha mais dificuldade para respirar e o choro era constante”, contou Thiago.
Após a entrada do processo no TFD, Isabelly estava inserida no Cadastro Nacional de Regulação em Alta Complexidade (CNRAC) gerenciado pelo Ministério da Saúde. Nesse meio tempo, a menina foi transferida de UTI aérea de Caxias para o Hospital Dr. Carlos Macieira e ficou 20 dias internada no aguardo da definição do estado que seria feita a cirurgia. “Foram dias muito difíceis, sem saber o que seria da vida minha filha. Ela não podia esperar em casa porque estava muito debilitada e sem condições de respirar sozinha. Só me restava aguardar a solução”, relembrou a mãe Roberta.
No dia 1° de outubro a notícia da transferência de Isabelly para o Hospital do Coração (HCOR), em São Paulo, chegou à família. Em duas horas a menina precisava chegar ao hospital para ocupar o leito. “Foi uma graça de Deus este dia. Amanhecemos em São Luís e à noite estávamos em São Paulo já nos procedimentos pré-operatórios da cirurgia”, disse Roberta.
Visita
Na manhã desta segunda-feira (29), a família visitou o secretário de Estado da Saúde (SES), Carlos Lula. “O empenho e agilidade da equipe do TFD em viabilizar a cirurgia foi fundamental para hoje minha filha estar viva. Os médicos tinham me desenganado, mas com muita fé fiz de tudo para que Isabelly pudesse ter a chance de se operar. Desde que cheguei em São Luís e depois em São Paulo não fiquei desamparado. Contar com o apoio do governo estadual salvou a vida da pessoa mais importante que tenho hoje”, agradeceu o pai Thiago.
O secretário de Estado de Saúde, Carlos Lula, afirmou que a parceria feita junto ao Hospital do Coração (HCOR) de São Paulo, por meio da viabilização do TFD, garantiu agilidade ao atendimento humanizado de Isabelly. “O governo Flávio Dino, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), concentra esforços para alcançar o objetivo de melhorar a vida de cada criança maranhense com diagnóstico de cardiopatia rara. Aqueles que precisam se deslocar não ficam desamparados, porque asseguramos o tratamento em qualquer lugar do país com a ajuda técnica do TFD, custeando transporte terrestre ou aéreo e, ainda, hospedagens em casas de apoio”, informou Carlos Lula.
Mais duas cirurgias
Em abril, Isabelly retorna a São Paulo para fazer o segundo procedimento. A assessora técnica do TFD, Emanuela Nunes, explica que em casos como o de Isabelly, que precisam realizar tratamento fora do estado, é feita uma pactuação com os outros estados que possuem leitos disponíveis e a transferência ocorre sem nenhum custo para o paciente, nem com passagem e hospedagem. “Cada procedimento que a Isabelly for fazer em São Paulo, ela precisa ser inserida no CNRAC para poder ter acesso a um leito. A Central informa a disponibilização de vaga de leito e o procedimento de transferência é feito. As despesas são custeadas pelo TFD, como o transporte aéreo, diárias para alimentação e hospedagem, no caso dela, o HCOR dispõe de Casa de Apoio”.
SAIBA MAIS
O que é cardiopatia congênita?As cardiopatias congênitas consistem em anomalias ocasionadas por defeitos anatômicos do coração ou dos grandes vasos associados, que produzem insuficiência circulatória e respiratória e outras consequências graves, o que pode, em muitos casos, comprometer a qualidade de vida e a própria vida do paciente.


Fonte: ASCOM