Pelo 4° dia seguido, caminhoneiros protestam por todo País

Pelo 4° dia seguido, caminhoneiros protestam por todo País

Nilton Cardin/Folhapress - 24.05.2018

Falta de alimentos, remédios e combustível em postos de gasolina, frota de ônibus reduzida e racionamento de energia são reflexos de protestos

Voos ameaçados pela falta de querosene de avião, linhas de ônibus suspensas em São Paulo e Rio de Janeiro, falta de comida em supermercado e de remédios em farmácias e até a possibilidade de racionar energia em Rondônia.
Esses são alguns dos reflexos do quarto dia consecutivo de manifestações de caminhoneiros, que bloqueiam rodovias do País para protestar contra o preço do diesel.
Nesta sexta-feira (25), a situação pode piorar ainda mais. Esse é o o diagnóstico do presidente da Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros), José da Fonseca Lopes.
Ontem, a entidade se reuniu com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Valter Camisiro (Transportes) e Carlos Marun (Governo) para achar uma solução para o preço do óleo diesel nos postos.
À noite, a Petrobras anunciou a redução de 10% no preço do diesel, além da manutenção do valor pelos próximos 15 dias. Mas não é o suficiente para Lopes. "Caso o governo não publique até amanhã no Diário Oficial da União, amanhã [sexta-feira] vai virar um caos”, avisa. Lopes diz que a redução do combustível “precisa virar lei”. Desde julho de 2017, a Petrobras reajusta diariamente o preço do diesel. “O reajuste deve ser feito a cada 90 dias", defende Lopes, da Abcam.
O presidente da Fenacat (Federação Nacional das Associações de Caminhoneiros e Transportadores), Luiz Carlos Neves, concorda que a situação se tornou insustentável por causa da política de preços da petroleira. "A cada dia que você vai abastecer, é um preço diferente. Não há categoria que suporte. Eu, como caminhoneiro, não posso transportar meu produto para o cliente e amanhã dizer que o preço é outro. Nós trabalhamos com contratos e, geralmente, esses contratos têm revisão anual — não diária. É um absurdo o que a Petrobras faz”.
Neves completa que, desde o início das negociações com o governo, em outubro de 2017, pouquíssima coisa foi feita em favor da categoria — à exceção da criação de um grupo de trabalho. "Até hoje, não sei para que serve este grupo de trabalho. Conversamos sobre a diminuição da carga tributária, que é muito alta, com fim de PIS, COFINS e CIDE. No entanto, o governo não cumpriu nada do que prometeu”, diz.
“O grupo de trabalho é algo que o governo sempre faz. Na prática, isso não significa muita coisa, porque quase sempre nunca resulta em nada”, argumenta Lopes, da Abcam.
O presidente da Fenacat diz ainda que os caminhoneiros pleiteiam a isenção de pedágio para os "eixos suspensos" — como são chamadas as rodas das carretas que não tocam no chão quando o caminhão está vazio. “Há uma lei federal que diz que não deve haver cobrança de pedágio para os eixos suspensos. Mas algumas concessionárias que administram as rodovias estaduais continuam cobrando”.
A combinação de tantos fatores é o que teria levado a categoria às ruas. “Vai haver manifestação, o trânsito vai continuar, vão faltar produtos, sim. Mas, do jeito que estão as coisas, não há condição de continuarmos rodando. Nós esperamos, de certa forma, que a população nos apoie. Pela indignação coletiva que vivemos no país, porque parece que nós chegamos ao fundo do poço”, afirma o representante da Fenacat.