Agentes da delegacia de Baraúna, no Rio Grande do Norte, aguardam para esta terça-feira a apresentação da motorista cujo carro colidiu contra a moto de Carlos Adriel da Silva, de 21 anos, e resultou na morte do jovem duas horas antes do casamento dele. Apavorada, ela não ficou no local. De acordo com o chefe de investigação, João Eusébio, o caso foi registrado em regime de plantão, na cidade vizinha Mossoró, e a apuração oficial deve chegar às mãos dos investigadores locais em breve. Até o momento, os policiais da cidade trabalham com relatos informais à espera dos laudos técnicos em meio à comoção de moradores, amigos e parentes.

— A condutora seria uma senhora que vinha com uma criança. O que sabemos é que ela deve se apresentar hoje ou depois com o advogado. Esperamos que seja hoje. O que temos são informes que colhemos na própria cidade, que é pequena, praticamente todos se conhecem. Houve a colisão, a Polícia Militar foi acionada até o local e apreendeu os dois veículos. Os laudos do plantão e da política técnica tem que chegar para começarmos a correr atrás — destacou o investigador, cuja delegacia não funciona aos fins de semana.

A última postagem do noivo, três dias antes da batida, também exaltava a união do casal. "Cada vez que te olho o sentimento de amor surgir como a mais bela canção de amor. A razão dos meus sorrisos mais sinceros é você, a certeza que o meu amor vai ser seu por toda a eternidade e o seu vai ser meu!", publicou Carlos Adriel.

A noiva de Carlos Adriel, Paloma Ismaelly, de 18 anos, o esperaria no altar dali a duas horas. Pelo Facebook, ela homenageou o amado, com quem se relacionava há quatro anos. "Infelizmente o sonho foi interrompido. Interrompido, e não acabado, porque eu sei que um dia eu te verei novamente", escreveu a jovem.

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Os documentos do plantão devem ser entregues à delegacia, no mais tardar, nesta terça-feira, segundo João Eusébio. Como não há a parte oficial e não se trata de algo como um homicídio, o agente destaca que a ação não é incondicionada: a polícia precisa dos laudos para ser iniciar os procedimentos. Ainda assim, na cidade de 26 mil habitantes, foi possível ouvir testemunhas e captar informações preliminares sobre o acidente de trânsito.

— Foi como se o rapaz tivesse tentado ultrapassar pelo lado da direita em uma curva. Não dá para dizer 'foi assim'. Tem que esperar o laudo para falar de fato. Mas foi no Centro, em uma rua bem movimentada. A motorista não ficou lá porque ficou apavorada, estava com uma criança. Aí saiu do local. O que posso dizer é que o pessoal não costuma usar capacete, é um pouco imprudente. Fotos da imprensa nos mostram preliminarmente que ele caiu com a cabeça no meio-fio — explicou Eusébio, segundo o qual o caso se desenha como uma fatalidade.

A ideia é analisar os laudos da polícia e compará-los com a versão da motorista. Segundo o investigador, a morte de Carlos Adriel comoveu a cidade de 26 mil habitantes, que fica a 70 quilômetros da capital, Natal. É triste, segundo ele, porque Baraúna tem "problema grande" com a criminalidade de tráfico drogas e alta taxa de homicídio. Só este ano foram 28 assassinatos — 95% deles ligados a entorpecentes.

— Comoção é maior porque, neste caso, não era nada disso. Era o dia do casamento dele! O que a gente soube é que ele estava fazendo os últimos preparativos para o casamento. Nosso índice de jovens envolvidos com crimes (é alto). Ele não era envolvido com nada disso — frisou o investigador.

Carlos Adriel tinha 21 anos

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