Morreu neste sábado (16), aos 65 anos, o apresentador Marcelo Rezende, após uma luta contra o câncer no pancrêas e fígado.
Desde o início da semana, ele estava internado no hospital Moriah, pertencente à Igreja Universal, em São Paulo, com pneumonia grave.
A informação foi confirmada no "Jornal da Record" desta noite.
Rezende revelou que estava com câncer em maio, no programa "Domingo Espetacular", da RecordTV, sua última casa.
O jornalista contou que percebeu que tinha algo estranho quando se sentiu cansado, indisposto e sem apetite. "Foi aí que eu pensei 'estou com alguma coisa no fígado', porque eu tenho um paladar lascado e um olfato lascado", disse. Ele então procurou um médico, fez exames e veio o diagnóstico: "Com uma cara triste, o médico se aproximou e me disse 'não tenho uma boa notícia para você'. "Eu não tenho medo da morte, porque o homem que tem fé não tem medo, ele sabe que irá vencer", bradou.
Durante os meses seguintes, Marcelo Rezende demonstrou toda sua fé em publicações no Instagram. Até desistir do tratamento da medicina tradicional e partir para o espirutual. A "farmácia de Deus", como dizia.
Em seu último vídeo na rede social, o apresentador apareceu bem mais magro e abatido, preocupando muita gente. Nomes como Milton Neves e Latino chegaram a implorar para Marcelo voltar a se tratar com médicos. "Ajude Deus a te ajudar", falou o âncora esportivo. "Por que essa cabeça tão dura?", perguntou o cantor.
Seus últimos dias no hospital Moriah foram de homenagens dos filhos, da namorada Luciana Lacerda e de amigos mais próximos, como Geraldo Luís e Luiz Bacci, que interrompeu suas férias e voltou ao Brasil para acompanhar aquele que lhe apelidou de "Menino de Ouro".
A família o protegeu e evitou declarações à imprensa e boletins médicos, até a confirmação do falecimento nesta noite.
Marcelo Rezende era natural do Rio de Janeiro e se descobriu no jornalismo de maneira inusitada.
Aos 17 anos, matriculado num curso técnico de mecânica, foi visitar a redação do Jornal dos Sports com um primo que tabalhava lá. No local, se ofereceu para ajudar uma pessoa que datilografava uma relação de clubes. Este era o diretor do jornal, que convidou Marcelo para fazer um estágio, onde ficou até os 19 anos, quando foi dispensado pelo chefe.
Repleto de amizades, conseguiu uma recolocação na Rádio Globo e, em 1972, chegou ao jornal O Globo. A partir disso, só cresceu. Sete anos depois, foi convidado para a revista Placar, da editora Abril, onde permaneceu por oito anos e meio, cobrindo inclusive a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo.
Sua chegada à TV aconteceu em 1987, no departamento de esportes da Globo, cobrindo clubes do Rio e participando de transmissões de partidas.
Mais adiante, foi transferido para a editoria geral e teve seu instinto de repórter investigativo em sua primeira cobertura policial, do assassinato de um dos empresários mais ricos do Rio.
Rezende também participou de coberturas do "Rock in Rio" e do funeral de Ayrton Senna.
Depois, se destacou em reportagens investigativas, como a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina, a busca ao paradeiro de PC Farias e a corrupção na Confederação Brasileira de Futebol.
Sua estreia como apresentador aconteceu em 1999, no "Linha Direta", da Globo, onde ficou apenas na primeira temporada do programa, que tinha o objetivo de combater a impunidade ao destacar casos que tivessem transitado e julgados na Justiça, fazendo grande sucesso.
Deixou a Globo em 2002, encerrando uma trajetória de 15 anos na casa, passando por "Globo Esporte", "Fantástico", "Globo Repórter" e "Jornal Nacional" como repórter.
Seguindo como apresentador, foi para a RedeTV! fazer jornalismo policial com o "Repórter Cidadão", de 2002 a 2004. Na sequência, teve sua primeira passagem pela RecordTV no "Cidade Alerta", que foi curta, de 2004 a 2005. Voltou para RedeTV!, onde foi âncora do "RedeTV! News" até 2008.
Em 2010, foi contratado pela Band e criou o "Tribunal na TV", que lembrava o "Linha Direta" pela dramatização dos casos, mas voltado ao ponto de vista do judiciário. No mesmo ano, foi recontratado pela RecordTV!, onde estava desde então.
Nesta sua segunda passagem pela emissora, foi repórter especial do "Domingo Espetacular", comandou o "Repórter Record" e desde 2012 era o titular do "Cidade Alerta", mudando o formato e apostando num tom mais leve, com brincadeiras e bordões, como "Corta pra mim" e "bota exclusivo, minha filha, dá trabalho pra fazer".
Marcelo Rezende deixa cinco filhos, todos de mulheres diferentes.