Jéssica Coutinho, de 30 anos, foi presa nesta terça-feira Foto: Divulgação. 

“Meu primeiro dia dos pais sem meu herói. Dar somente esse dia para ele é pouco, pois ele foi pai, mãe, melhor amigo e tudo mais que eu precisei. É um amor e uma saudade que nem tem fim”. Com essas palavras, no mês passado, Jéssica Coutinho, de 30 anos, publicou nas redes sociais uma homenagem póstuma a Paulo Cesar Coutinho, de 55 anos.
O empresário foi morto em agosto de 2016, dentro da casa onde morava com a filha, na Pavuna, na Zona Norte da cidade. A autoria do crime era desconhecida até terça-feira pela manhã, quando a jovem foi acordada com policiais civis batendo à sua porta. Os agentes traziam uma ordem de prisão preventiva. Após um ano e dois meses de investigação, a Divisão de Homicídios (DH) da capital concluiu que Jéssica assassinou o pai com um tiro na nuca.
No texto publicado em seu perfil no Facebook, Jéssica enche o pai de elogios: “Um homem forte, humilde e trabalhador, que mesmo com tantas adversidades e pessoas de caráter duvidoso nunca deixou de estender a mão e de sorrir”. A jovem ressalta ainda o cuidado com o qual o empresário, que ficara viúvo recentemente, tratava a família: “Um pai que mesmo com uma filha e esposa doentes não abandonou a família e que no seu último instante de vida não deixou de me proteger”. Finaliza o texto reforçando a saudade que sente do pai: “Não se passa um dia que em que eu não pense em como tudo seria se ele estivesse aqui! É triste, mas não posso reclamar, vivi 30 anos com o melhor pai do mundo”.
Jéssica Coutinho, de 30 anos, foi presa nesta terça-feira
Jéssica Coutinho, de 30 anos, foi presa nesta terça-feira Foto: Divulgação
Após o homicídio, Jéssica, que era filha única, passou a controlar todo o patrimônio deixado pelo pai. Paulo César era dono de um bar e oito quitinetes no bairro onde morava. De acordo com a polícia, a jovem logo se apossou dos imóveis, expulsou inquilinos inadimplentes, reformou as unidades e contratou uma imobiliária para administrar o negócio. O interesse em receber a herança é apontado como principal motivação para o crime. Cada uma das oito quitinetes rende um aluguel de R$ 500 por mês. O patrimônio total é estimado em R$ 500 mil.
O crime aconteceu na madrugada do dia 29 de agosto de 2016. Na época, o caso foi registrado como latrocínio, roubo seguido de morte. Única testemunha do crime, Jéssica contou aos policiais que o pai havia acabado de fechar o bar e, ao entrar em casa, que fica ao lado do estabelecimento, deparou-se com um assaltante, com o qual se engalfinhou antes de ser baleado. A jovem chegou a apontar um frequentador do bar como autor do homicídio. O suspeito foi conduzido à delegacia e solto por falta de provas.
A Divisão de Homicídios (DH) da capital se debruçou sobre o caso. Após dezenas de depoimentos, perícias no local do crime, análises de imagens de câmeras de segurança, medidas cautelares e uma reprodução simulada, a equipe chefiada pelo delegado Daniel Rosa concluiu que a própria Jéssica foi a autora do homicídio.
Paulo César foi morto com tiro na nuca
Paulo César foi morto com tiro na nuca Foto: Divulgação
Na reconstituição do crime, as suspeitas se confirmaram. Ao longo do procedimento, as contradições foram aparecendo. Jéssica contou, por exemplo, que foi obrigada pelo criminoso a carregar o pai depois de morto. Ela disse que pegou o pai pelo braço, enquanto o criminoso o suspendeu pela perna. Os dois carregaram o corpo até o quintal, onde foi encontrado. No entanto, a perícia constatou uma marca de sangue no chão, que indicava que ele foi arrastado. As cenas narradas pela suspeita também não condiziam com os horários registrados pelas imagens de câmeras de segurança.
Na manhã desta terça-feira, ao ser presa, Jéssica ficou surpresa, mas não resistiu. Além do homicídio qualificado, ela foi indiciada por fraude processual, já que alterou a cena do crime, e denunciação caluniosa, por ter apontado outro indivíduo como responsável pelo assassinato.