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O líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou neste sábado (16) que seu país está próximo de dispor de uma arma nuclear, apesar das sanções da ONU.
"Precisamos demonstrar às grandes potências nacionalistas como nosso Estado atinge o objetivo de dispor de uma arma nuclear, apesar de suas reiteradas sanções e bloqueio" declarou o ditador, citado pela agência estatal KCNA.
Para Kim Jong-un, o lançamento do míssil de médio alcance Hwasong-12, que na véspera sobrevoou o Japão antes de cair no Oceano Pacífico, foi um sucesso e "incrementou o poderio bélico nuclear" da Coreia da Norte.
Segundo especialistas, o novo míssil tinha capacidade de alcançar a ilha americana de Guam, no Pacífico. Ele percorreu uma distância de 3.700 km após ter sido disparado de um local próximo a Pyongyang. 
O lançamento ocorreu poucos dias depois de o Conselho de Segurança aprovar uma oitava série de sanções para tentar convencer o regime norte-coreano de negociar seus programas ilegais balístico e nuclear. As medidas são as mais fortes já adotadas até hoje. Elas limitam as exportações de petróleo e de produtos refinados para Pyongyang e bloqueiam a compra de produtos têxteis norte-coreanos.
Lançamento foi "altamente provocador"
O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou firmemente o disparo do míssil, que considerou "altamente provocador". "Assim como outras ações recentes e declarações públicas" de Pyongyang, o programa nuclear e balístico norte-coreano "mina deliberadamente a paz e a estabilidade na região", acrescentou, por meio de comunicado. 
Como em diversas outras vezes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu responder às ameaças. O bilionário advertiu a Coreia do Norte na sexta-feira (15) que o armamento de Washington poderia "desmoronar a alma de seus inimigos". "Depois de ver nossas capacidades [de combate e resposta bélica], tenho mais confiança do que nunca que nossas opções são não apenas efetivas, mas também demolidoras", declarou.
Trump prevê se reunir com aliados da Coreia do Sul e Japão na próxima semana em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, para discutir o caso norte-coreano.
Rússia, França e China buscam consenso
Os presidentes de Rússia, Vladimir Putin, e França, Emmanuel Macron, pediram o desenvolvimento de "negociações diretas" com a Coreia do Norte para terminar com a escalada. Segundo o Kremlin, os dois dirigentes mantiveram uma conversa telefônica na qual coincidiram sobre "a necessidade de resolver esta situação extremamente complicada exclusivamente por meios políticos e diplomáticos, retomando negociações diretas".
As discussões entre Pyongyang e cinco grandes potências - Estados Unidos, Rússia, Japão, China e Coreia do Sul - estão congeladas desde 2008.
A China, principal aliado da Coreia do Norte, condenou o disparo, mas pediu demonstrações de prudência. "O coração do problema é a oposição entre Coreia do Norte e Estados Unidos. A China não está na origem da escalada de tensões", reagiu o porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.
A Coreia do Sul respondeu com testes militares que incluíram o lançamento de mísseis Hyunmu no mar do Japão, segundo o ministério da Defesa do país. Um destes artefatos percorreu 250 km, uma distância suficiente para teoricamente atingir o local de onde partiu o míssil norte-coreano, em Sunan, perto do aeroporto de Pyongyang.
(Com informações da AFP)