Jovem de 21 anos contou que sofreu mudança 'drástica' de personalidade com os anos que passou no Colégio Rhema (Foto: Fábio Tito/G1). 


Ir ao cinema, assistir televisão, ter perfis em redes sociais, namorar. Estas são algumas das coisas que Caleb Souza, Priscila Mendes, e A.A. – que prefere não se identificar – fizeram só depois dos 20 anos de idade, após saírem do Ministério Evangélico Comunidade Rhema, sediado em Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Eles contaram ao G1 a rotina de proibições e punições do local.
A igreja evangélica é uma filial da seita norte-americana "Word of Faith Fellowship" (Associação Palavra da Fé), que foi denunciada por usar brasileiros como escravos na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A história foi revelada pela agência de notícias Associated Press, que entrevistou mais de 30 ex-membros da congregação. Em nota, a igreja nega os abusos (leia a íntegra do posicionamento abaixo).

Em Franco da Rocha, a igreja mantém uma escola que vai da Educação Infantil ao Ensino Médio. Elas estão lado a lado, tanto fisicamente quanto na doutrina rígida imposta aos alunos e fiéis. Os imóveis ficam em uma rua que hospeda casas de alto padrão com muros altos, como a da pastora Solange Oliveira, que, junto com seu marido, Juarez, e os pastores Paulo e Alice Santos, comandam a Comunidade Rhema.

Um familiar de Solange e Juarez, que aceitou conversar com a reportagem sob condição de anonimato, disse que a aproximação com os pastores americanos - Jane e Sam Whaley – tornaram mais duras as regras da igreja paulista. Antes do encontro, no final da década de 1980, Solange e Juarez tinham apenas um centro de orações em no bairro Morro Grande, na Zona Sul de São Paulo.
“Com o tempo, a doutrina no Brasil foi se assemelhando com a dos americanos. E [os americanos] criaram um jogo psicológico muito forte. Se não fizer isso, vai para o inferno, senão vai para o céu”, disse o parente dos pastores. Segundo ele, as famílias brasileira e americana ficaram mais próximas em 2005. A partir daí, a filial brasileira endureceu.

Rotina na escola e punições

Caleb, Priscila e A.A. , hoje com 27, 24 e 21 anos, respectivamente, cursaram toda a vida escolar no Colégio Cristão Rhema, onde só os membros da igreja podem estudar. Pedreiro, o pai de Caleb viu na escola uma oportunidade do filho ter uma boa educação em uma escola particular, já que podia pagar a mensalidade com serviços de obra. "Ele achava que era uma coisa boa, com princípios cristãos", disse Caleb.

Pela manhã, antes das aulas, por meia hora, havia uma reunião com todos os alunos da escola para determinar quem merecia ou não assistir às aulas naquele dia. O critério era religioso. “Eles vinham acusando, apontando o dedo, você está em pecado, não vai entrar na sala hoje”, contou Caleb.
Um dos motivos para “estar em pecado” é falar com uma pessoa do sexo oposto. “Se caiu um lápis no chão e entregasse na mão dela [de uma menina], já era motivo para gritos e punições só pelo fato de entregar na mão”, disse A.A.

Os gritos eram uma das formas de punição e também “método” de oração. “Eles gritavam literalmente na orelha da pessoa, aí vinha um grupo de pessoas, empurrava você para baixo e eles falavam que o demônio tem que sair para fora. Eles chacoalhavam a pessoa de tal forma que a pessoa vomitava, e eles falavam que era o demônio estava saindo”, contou Caleb. Durante uma dessas orações, Priscila diz ter se machucado. “Numa dessas bateram minha boca no chão e quebrei o dente da frente”, conta a jovem.

(VEJA MATÉRIA COMPLETA AQUI)

G1