A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social só ficou sabendo do caso, quando uma emissora de televisão de local, noticiou o crime e apresentou as condições em que o corpo estava sendo velado.  

O crime aconteceu na noite da última quarta-feira (21/06) na Rua Nossa Senhora do Carmo, Bairro Fumo Verde em Caxias. A vítima, Gilvan Borges da Silva de 28 anos, estava dentro da própria casa assistindo um jogo de futebol quando duas pessoas em uma motocicleta pararam em frente à residência, um deles adentrou e disparou três tiros contra o rapaz que morreu minutos depois.
“Ele estava assistindo ao jogo, colocou a cadeira e ficou de costas para a rua dentro de casa. Quando eu escutei os tiros quando cheguei, ele já estava caído”, relata Domingos da Conceição, sogro da vítima.
Seu Domingos, sogro de Gilvan, afirma que após o atendimento policial o corpo foi levado pelo Instituto Médico Legal (IML) à cidade de Timon. Após a liberação, o corpo foi trazido de volta a Caxias-MA para ser velado pela família. Seu Domingos afirma que não sabia que a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social- SMADS, fornece o caixão sem nenhum custo à família. Gilvan Borges da Silva era casado e tinha três filhas, a mais velha tem sete anos e as duas menores de cinco e três anos, respectivamente. A família humilde e sem condições financeiras de comprar o caixão, iniciou o velório com o corpo da vítima em cima de uma porta coberto por um lençol que trazia as iniciais do Hospital Macroregional. O sogro de Gilvan contou ainda que em nenhum momento foi informado pelos profissionais do IML ou autoridades policiais que a SMADS de Caxias fornece gratuitamente caixões às famílias que não tenham condições de adquiri-los, tendo ele deixado claro que a família não teria como comprar um caixão.
“Daqui ele foi levado pra Timon pelo IML umas 03h da manhã. Trouxeram ele pra cá do jeito que nasceu. Botemos em cima de uma porta, que não tinha nem um caixão. Eles (IML) ficaram machucando perguntando se a gente não tinha Bolsa Família que desse pra comprar o caixão, Bolsa Família não compra caixão.  Nós não procuramos porque não tínhamos conhecimento que o Município dava de graça. A gente não teve essa informação. Eu até falei, olha eu estou pedindo porque eu não posso comprar”, disse Domingos da Conceição, sogro da vítima.
A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social só ficou sabendo do caso, quando uma emissora de televisão de local, noticiou o crime e apresentou as condições em que o corpo estava sendo velado. A reportagem responsabilizava a Secretaria de Assistência Social pela situação. O Professor Chiquinho, Secretário Adjunto de Assistência Social, fez questão de ir à residência da família com sua equipe de trabalho prestar solidariedade pelo ocorrido e oferecer apoio social e psicológico à família. O Secretário afirmou que em nenhum momento o órgão foi acionado, seja pelo IML, pela polícia ou pela família.
“Nós estamos aqui prestando nossas condolências à família enlutada, inclusive tem uma sonha com mais três crianças e todas menores de idade, a mais velha tem sete anos de idade. Um momento muito triste para a família” se solidarizou Professor Chiquinho, secretário Adjunto de Assistência Social.
A SMADS de Caxias confecciona urnas fúnebres e conta com recursos chamados de Benefícios Eventuais que permitem a aquisição as famílias carentes. Esses casos são atendidos quando a Secretaria é acionada por hospitais ou qualquer cidadão caxiense.
“O Assistente Social verifica a situação da família, se a família não tem como, não paga funerária, verificando a situação da família ele faz o pedido à Assistência Social ou ao nosso órgão, Centro de Inclusão ao Trabalho que funciona no bairro Ponte, e, esse órgão atua prontamente entregando a urna fúnebre solicitada”, explica professor Chiquinho, secretário Adjunto de Assistência e Desenvolvimento Social.
O secretário adjunto explica ainda que, em casos como este, o IML deveria ter informado a família sobre o benefício ou ter entrado em contato com a SMADS, o que não aconteceu. Outro grande problema segundo o secretário adjunto, foi a maneira como o assunto foi abordado pela emissora de TV local, Sinal Verde, sem que houvessem a checagem de informações verídicas, além disso, eles mesmos poderiam ter dito aos familiares que procurassem a Secretária, já que enquanto uma concessão pública, também deveria exercer sua função social.
 “Nós vamos buscar outras ferramentas porque a família não tem nada com isso. Nós temos esse compromisso e essa responsabilidade. Nós vamos informar aos órgãos competentes, tanto a órgãos da polícia civil ou militar que atender esses casos, que entre em contato direto com a Secretaria Municipal de Assistência Social, entrar em contato com um dos nossos assistentes sociais ou a um CRAS. Neste caso, nós tomamos conhecimento por meio da veiculação em uma emissora de televisão que mostrou. O que nos questionamos é por que a própria emissora não entrou em contato com a Assistência Social para informar em vez de expor a família enlutada?!, por que não comunicou para o órgão competente para tirar naquele momento o corpo daquele cidadão que estava exporto no meio da casa sobre uma porta?! Eu tenho certeza que sabem a quem procurar, porque souberam mencionar na reportagem; tinham comunicado para nós e nós teríamos atendido. De forma alguma evitaríamos atender, porque é nossa obrigação atender”, explica o professor Chiquinho, secretário Adjunto de Assistência e Desenvolvimento Social.
A secretaria por meio de sua equipe está prestando o apoio devido à família naquilo que foi necessário.
“Nós conversamos com a família, as crianças todas estão cadastradas no programa Bolsa Família, que é um dos programas do Governo Federal que faz parte da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Nós estamos verificando a situação da mãe das crianças, passado este momento, a gente vai fazer uma visita técnica para ver a situação da família e naquilo que pudermos ajudar colocamos a Secretaria de Assistência Social à disposição para que a gente possa averiguar toda a situação. Mas já tomamos conhecimento da situação das crianças e da mãe, que agora é viúva”, afirma professor Chiquinho, secretário Adjunto de Assistência e Desenvolvimento Social.