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Flávio Dino e PCdoB começam a confirmar relação com a Odebrecht
POLÍTICA

Governador alegou que era normal político pedir ajuda a empresas. Partido confirmou reunião para tratar de projeto de interesse da empreiteira




O governador do Maranhão, Flávio Dino, e o seu partido, o PCdoB, vão confirmando aos poucos a relação existente com a Odebrecht, maior empreiteira do país e pilhada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal na Lava Jato, esquema bilionário de ladroagem e lavagem de dinheiro público e corrupção envolvendo a Petrobras, empreiteiras, políticos e empresários.
A confirmação do comunista aconteceu há quase duas semanas. A do PCdoB foi mais recente, há alguns dias, mas ambas acabaram passando despercebidas.
Em entrevista à TV Mirante, ao ser questionado se realmente procurou a Odebrecht atrás de doação para a campanha eleitoral, Dino não negou a busca pelo dinheiro e ainda surpreendeu aos maranhenses com a resposta: “era normal que os políticos procurassem empresas e empresas procurassem políticos”, alegou — se agarrando ao sistema vigente à época, que permitia a doação de empresas aos candidatos.
Já na semana passada, acossado com a notícia de um pedido de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre possível vazamento ao governador sobre sua citação na Lava Jato, o PCdoB emitiu nota reveladora a uma reportagem do jornal O Estado.
Entre as justificativas apresentadas para defender Flávio Dino, a legenda confirmou que houve “uma reunião [entre o comunista e um representante da Odebrecht] para debater projeto de lei de interesse da empresa”, e que esse projeto era exatamente o referente a certidão obtida pelo chefe do Executivo como carta-seguro, o PL 2.279/2007.
Segundo acordos de colaboração feitos por um dos delatores da empresa com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-funcionário José de Carvalho Filho, o governador do Maranhão teria pedido ajuda financeira e recebido pelo menos R$ 400 mil para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014. O primeiro repasse, segundo o delator, de R$ 200 mil, teria sido feito por fora, por meio do famoso caixa 2. O segundo, novamente de R$ 200 mil, foi feito de forma oficial, e também já foi confessado pelo comunista.
Por esses dois repasses, delatados na Lava Jato com recibo de doação e codinome (Cuba) e senha (Charuto) que seriam de Flávio Dino na planilha de propina da Odebrecht, somados a outros documentos, levaram o chefe da PGR, Rodrigo Janot, a pedir ao STF que autorizasse pedido de abertura de inquérito contra o governador do Maranhão no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Enquanto a Corte não decide, o conteúdo do delator vai se encaixando no que Dino e o seu partido vão soltando, mesmo sem querer.
Atual 7

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