O “desafio da Baleia Azul” pode ter feito mais uma vítima em Minas Gerais. Um adolescente de 16 anos foi encontrado morto no último fim de semana no Bairro Ribeiro de Abreu, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Apesar de a princípio a Polícia Civil não relacionar o caso com o game – que já foi ligado ao episódio de um jovem que se matou em Pará de Minas, na Região Centro-Oeste – familiares da vítima suspeitam que haja relação. Os dois casos estão sendo investigados.

O aparelho celular e computadores do adolescente morto em BH já estão sendo periciados pela Polícia Civil. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), o corpo foi encontrado pelo padrasto e pela mãe do jovem por volta da 1h de domingo. O casal chegava em casa de carro quando viu a vítima na varanda com uma corda no pescoço e as mãos amarradas. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML).

Segundo a polícia, o padrasto e um amigo informaram que o adolescente era calado e ficava muito tempo no celular, na internet e em redes sociais. O em.com.br conversou com uma tia do jovem, que não quis se identificar, mas disse que há a suspeita de que o desafio da Baleia Azul tenha influenciado o garoto. “Tudo ainda está sendo investigado. Há rumores de que no IML encontraram uma marca de baleia desenhada no corpo dele. Mas eu mesma não vi”, afirmou.

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Por meio de redes sociais, outros familiares e amigos da vítima também relacionaram a morte com o Baleia Azul. “A internet tem seu lado bom, mas também o lado ruim, assim como tudo na vida. Hoje eu perdi uma pessoa por causa desse tal jogo Baleia Azul. Galera, não existe outra salvação a não ser Deus. Se você se sente sozinho, procure Deus... Porque nenhuma mãe, nenhuma família merece ver um suicídio de um filho”, disse uma internauta.

O jogo
No game, participantes são induzidos por um “mentor” a cumprir 50 tarefas, uma por dia, até o derradeiro desafio: tirar a própria vida. Ele pode ter matado 130 jovens na Rússia, onde surgiu. Entre as tarefas que os jogadores são desafiados a cumprir estão a de subir no telhado mais alto encontrado ou ainda ir para uma ponte e se sentar na beirada. 

O jogo tem um curador ou moderador, que distribui os desafios a partir de um grupo secreto onde os contatos são iniciados pelo Facebook. Há provas mórbidas, que de certa forma preparam os envolvidos para o suicídio, como se cortar com lâminas, escutar músicas depressivas, mutilar partes do corpo, como os lábios, ir a uma estrada de ferro de madrugada, receber e aceitar uma data para sua morte e cumprir essa missão. 

A Polícia Civil iniciou ontem a investigação da morte de Gabriel Antônio dos Santos Cabral, de 19 anos, em Pará de Minas, que também pode ter relação com o jogo. O corpo do rapaz foi encontrado na quarta-feira, na cama da casa onde morava. A principal prova do crime pode estar no celular do jovem, que ainda é periciado. A suspeita é que ele tenha ingerido dezenas de comprimidos de um antidepressivo e calmante.

(RG)