Solenidade aconteceu no auditório da Academia Caxiense de Letras. 


O poeta Joaquim Vespasiano Ramos, nascido em Caxias em 13 de agosto de 1884, no Lago da Igreja de São Benedito, onde hoje estão a Igreja de são Benedito e a Praça Vespasiano Ramos, foi o poeta de uma só obra: “Cousa Alguma”.

Seu talento e a força de seus versos o tornaram conhecido no Brasil e no exterior. Seu nível cultural era elevado e o fez transitar em cenários poéticos muito ricos. Em seu único livro, versos simples retratavam de modo marcante o estado de sua alma. Durante a carreira, participou de diversos debates com intelectuais e escreveu para diversos jornais.

Muitos não sabem que o ilustre poeta caxiense viveu seus últimos dias distante do Maranhão. Estabelecido em Porto Velho, Rondônia, morreu aos 32 anos de idade, e lá foi sepultado em 26 de dezembro de 1916, no legendário Cemitério dos Inocentes.
Quando se completaram os 100 anos de seu nascimento, uma placa foi colocada em sua sepultura, em Porto Velho, para lembrar a data. Uma prova do respeito que os rondonienses sentiam e sentem por ele.



Vespasiano era um poeta romântico, autor de uma única obra, Cousa Alguma. Segundo o presidente da Academia Caxiense de Letras, Renato Menezes, o livro "fala sobre o amor, fala sobre a dor, fala sobre a vida, fala sobre tudo isso que homens nascidos no começo do século passado sentiam. Era um poeta do momento, com todas as suas virtudes e desvirtudes, mas também é um poeta atual, pois esses assuntos ainda estão muito em voga entre nós".

Depois de uma espera centenária, os restos mortais do poeta, chegaram a Caxias. No sábado, 18 de março, as cinzas de Vespasiano (depositadas em uma urna), foram veladas na Academia Caxiense de Letras, situada na Rua 1 º de Agosto, no centro. Estavam presentes escritores, músicos, professores, poetas e familiares do imortal caxiense. O professor Gilvaldo Quinzeiro e o poeta Wibson Carvalho eram alguns dos representantes da cultura caxiense presentes na Academia. Também estava Jacques Medeiros, pesquisador e sobrinho do poeta. A família aguardava por isso há bastante tempo.
     
 A chegada dos restos mortais do poeta a Caxias representa o resultado de um trabalho que durou décadas, desde que uma solicitação foi feita ao governo de Rondônia. Ter o poeta de volta ao torrão natal exigiu um trabalho de fôlego dos envolvidos: escritores, Academia Caxiense de Letras, o Governo Estadual, etc. Os familiares de Vespasiano presentes à cerimônia estavam visivelmente emocionados.

Urna com os restos mortais de Vespasiano Ramos (Foto: Reprodução/ TV Mirante)


 Vespasiano continua inspirando. Integrantes da nova geração de poetas não negam alguma influência dele. O traslado de suas cinzas para Caxias é uma prova de consideração, valorização do que ele representa para a cultura da cidade e do país. Ele provou que a poesia não tem fronteiras. Esperamos que essa valorização da cultura, de resgate das raízes de nossa terra, tenha prosseguimento.

Fonte: Diário de Caxias com informações Tv Mirante