Trump ao lado dos filhos e da mulher Melania Trump (Foto: Jewel Samad/AFP)
O empresário bilionário surpreendeu o mundo ao contrariar as pesquisas e derrotar Hillary Clinton na disputa pela Casa Branca

‘PRESIDENTE DE TODOS’

Mesmo com Hillary Clinton apontada como favorita em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto e nas projeções feitas por institutos e pela imprensa, Donald Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados Unidos. Em seu discurso de vitória, prometeu reunir a nação e reconstruir a infraestrutura do país, dobrando o crescimento econômico.

"Serei presidente para todos os americanos", disse. "Trabalhando juntos, vamos começar a tarefa urgente de reunir nossa nação. É isso que quero fazer agora por nosso país." Veja trechos do discurso no vídeo abaixo:
Trump disse que Hillary ligou para ele para parabenizá-lo pela vitória. "Ela me ligou para me parabenizar por nossa vitória, e eu a parabenizei por uma campanha muito, muito dura. Ela lutou muito forte", disse presidente eleito em seu discurso.

FOTOS: Veja a reação dos americanos à vitória de Trump
Noite nos Estados Unidos foi de festa de um lado e choro do outro (Créditos: Jonathan Ernst e Lucy Nicholson/Reuters)

'DERROTA DOLOROSA'

Algumas horas após o anúncio da vitória de Trump, Hillary Clinton fez o discurso em que reconheceu a derrota. A democrata disse que o resultado foi "doloroso", agradeceu à família, aos Obama e aos apoiadores de campanha. “Eu sei o quão desapontados vocês se sentem. É doloroso e vai ser por muito tempo. Nós vimos que a nossa nação está mais dividida do que pensávamos”, afirmou.
Hillary ressaltou a participação das mulheres na campanha e disse que uma mulher "mais cedo ou mais tarde" vai chegar à Casa Branca. Trump teve a campanha marcada por acusações de assédio e declarações machistas.

A democrata disse que seu partido preza por uma "transferência pacífica" de poder. "Essa perda dói, mas nunca deixem de acreditar que lutar pelo que é certo vale a pena", disse.

Bastante aplaudida, Hillary desejou sucesso a Trump e disse que deseja que ele trabalhe em prol de todos os americanos.
Logo após o discurso de Hillary, Barack Obama fez um pronunciamento no qual disse que "não poderia estar mais orgulhoso" de Hillary. O presidente dos EUA disse também que "não é segredo" que ele e Trump têm diferenças significativas, mas afirmou que instruiu sua equipe a garantir uma transição de sucesso para o próximo presidente.

VITÓRIA EM ESTADOS-CHAVE

Orepublicano conquistou vitórias surpreendentes sobre Hillary em estados-chave para definir o resultado, abrindo o caminho para a Casa Branca e abalando os mercados globais que contavam com uma vitória da democrata.

Contrariando as sondagens, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia votaram em um republicano pela primeira vez desde os anos 1980. Juntos, esses estados têm 46 delegados. Além disso, Hillary perdeu em Flórida, Carolina do Norte e Ohio, que são alguns dos chamados "swing states" – que têm grande número de delegados no colégio eleitoral e onde, historicamente, não há favorito. Quase sempre, eles são decisivos nas eleições americanas. A Flórida tem 29 delegados, Ohio tem 18, e Carolina do Norte, 15. O candidato precisa ter 270 delegados para ser eleito presidente.
Votação por condado nos EUA em 2016 (Arte/G1)
Os democratas contavam com votos dos estados do Centro-Oeste, como Iowa, Ohio e Wisconsin, por causa do tradicional apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump. A importância dessa classe para os democratas tinha sido subestimada em projeções feitas antes do pleito, segundo o jornal "The New York Times". Analistas dizem o apoio desses trabalhadores a Obama já tinha sido menor em 2012, principalmente pelo receio de perder o emprego para outros países.

Os trabalhadores rurais de estados centrais e do Norte também escolheram em peso o republicano e fizeram diferença no resultado.

Quando entrou o número de delegados do estado de Wisconsin na conta da agência Associated Press, Trump alcançou 276 delegados, ultrapassando o limite de 270 necessários para ser o vencedor no Colégio Eleitoral. Confira a apuração completa dos votos, estado a estado. Mesmo tendo menos votos totais, Trump será eleito porque a votação nos EUA é indireta, e cada estado tem um peso diferente.
Até as 8h20 (horário de Brasília), Hillary tinha tido 47,48% dos votos; Trump estava com 47,72%
GIF compara os resultados das eleições de 2012, quando Barack Obama foi eleito, e a de 2016, que deu vitória a Donald Trump

REPERCUSSÃO POLÍTICA

Avitória de Donald Trump provocou reações pelo mundo que vão desde o espanto até a euforia de líderes de direita.
Vladimir Putin, presidente da Rússia, enviou em um telegrama ao presidente eleito dizendo esperar uma melhora nas relações russo-americanas. Afirmou ainda "estar certo de que será iniciado um diálogo construtivo entre Moscou e Washington”.

Jean-Marie Le Pen, dirigente histórico da extrema-direita francesa, parabenizou o eleito. "Hoje, os Estados Unidos! França, amanhã! Parabéns!”, afirmou. O presidente francês, François Hollande, disse que “o triunfo de Trump abre um período de incerteza”. Saiba o que disseram outros líderes internacionais.
(Crédito: Osman Orsal/Reuters)

REAÇÃO DOS MERCADOS

Oresultado da eleição nos Estados Unidos derrubou os mercados de ações pelo mundo. A bolsa de valores de Tóquio perdeu mais de 5% e, na Europa, os principais índices abriram o dia em forte queda. No Brasil, o dólar abriu em forte alta em relação ao real. A Bovespa começou os trabalhos com queda de mais de 3%.
Segundo a Reuters, os investidores estão preocupados com a possibilidade de Trump adotar políticas protecionistas e desistir de acordos de comércio internacional.

"Isso é o mais assustador em se colocar o cargo mais poderoso do mundo nas mãos de um homem que muitos acreditam ser temperamentalmente instável. Seus cortes de impostos podem abrir um enorme rombo orçamentário e suas sanções comerciais podem suspender o comércio mundial. Tudo isso pode gerar uma recessão", disse o estrategista-chefe de mercado da National Securities em Nova York, Donald Selkin.

AZARÃO

De temperamento explosivo e sem experiência política anterior, o bilionário republicano de 70 anos superou todos os prognósticos e se impôs como um forte adversário.

Começou a disputa como azarão, concorrendo com diversos outros pré-candidatos republicanos pela indicação do partido e com muitos analistas duvidando que ele pudesse alcançar a nomeação. Com discursos centrados nas frustrações e inseguranças dos americanos num mundo em mutação, tornou-se a voz da mudança para milhões deles.

TRAJETÓRIA

Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa. Tem cinco filhos e seis netos.

Graduou-se em 1964 na Academia Militar de Nova York, onde alcançou a patente de capitão e vislumbrava seu destino: "Um dia, serei muito famoso", comentou a um colega. Formou-se em economia na Universidade da Pensilvânia. Em 1971, assumiu a empresa familiar dedicada ao aluguel de imóveis de classe média em NY. Ele gosta de dizer que começou modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão” de seu pai.
Optou por construir torres luxuosas, hotéis, casinos e campos de golfe. Já nos anos 1980, tinha em construção diversos empreendimentos na cidade, incluindo a Trump Tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey.

Em 1996, comprou os direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen, tornando-se seu produtor executivo. Oito anos mais tarde, tornaria-se figura pública ainda mais conhecida ao virar apresentador do programa “The Apprentice” ("O Aprendiz"). Leia operfil completo do novo presidente dos EUA e suas principais ideias e propostas.
O jovem Donald Trump (ao centro) (Foto: Reprodução/TV Globo)

PRIMEIRA-DAMA

Opresidente eleito nos EUA é casado, pela terceira vez, com a ex-modelo Melania Trump desde 2005. A sucessora de Michele Obama tem 46 anos e nasceu em Sevnica, uma pequena cidade no leste da Eslovênia.

Em seu último discurso na campanha, Melania disse que "seria um privilégio poder servir a nosso país" como primeira-dama e que pretendia ser "uma defensora das mulheres e das crianças".
Melania Trump, a nova primeira-dama dos EUA (Foto: Patrick Semansky/AP Photo)
Nas poucas vezes em que Melania apareceu na campanha, ela cometeu gafes. Em julho, foiacusada de plagiar um discurso de Michelle Obama de 2008, ao defender seu marido quando ele ainda concorria à nomeação do Partido Republicano. A campanha de Trump considerou a acusação de plágio um “verdadeiro absurdo”.

A nova primeira-dama chegou a dizer que os comentários do marido sobre mulheres eram inaceitáveis e ofensivos, mas ao mesmo tempo o defendeu. Disse que o pedido de desculpas dele deveria ser aceito.

DENÚNCIAS DE ASSÉDIO

Acampanha eleitoral de 2016 foi considerada uma das mais sujas da história, com acusações e bate-bocas entre os dois principais candidatos. Uma das maiores polêmicas envolvendo Trump foram as denúncias de assédio sexual por mulheres. Algumas relatam que o republicano as beijou à força, outras dizem que ele colocou as mãos por baixo de suas saias.
Summer Zervos diz à imprensa, no dia 14 de outubro, que foi assediada pelo candidato republicano Donald Trump (Foto: REUTERS/Kevork Djansezian)
Seis casos foram divulgados após o jornal "Washington Post" publicar um vídeo em que Trump faz comentários sobre como apalpa mulheres sem seu consentimento. Na gravação, o candidato usa termos vulgares para se referir a mulheres.

O caso gerou mais críticas e retiradas de apoio ao candidato, inclusive por parte de republicanos, e fez com que grandes doadores de sua campanha pedissem o dinheiro de volta. Trump nega todas as acusações.

MURO NO MÉXICO

Sua postura em relação à imigração também repercutiu em todo o mundo. Ele defendeu a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes nos EUA. No dia em que apresentou sua candidatura, ele disse:

“Quando o México manda gente para os EUA, eles não estão mandando os melhores... Eles estão mandando pessoas que têm muitos problemas e estão trazendo esses problemas para nós. Eles estão trazendo drogas, estão trazendo crime, estão trazendo estupradores, e, alguns, presumo, são boas pessoas.”
Donald Trump mostra desenho de muro que diz que será construído no México (Foto: REUTERS/Jonathan Drake)
Trump prometeu ainda banir os muçulmanos e expulsar todos os imigrantes ilegais que já estão nos EUA, cerca de 11 milhões de pessoas, afirmando que aqueles que comprovarem ser “boas pessoas” serão aceitos de volta de forma legal.

Outras propostas feitas pelo republicano foram o fim do "Obamacare" (programa de saúde criado por Obama), o aumento dos impostos de empresas que deixarem o país e a ampliação dos poderes dos donos de armas que querem se defender.

IMPOSTOS

Os impostos de Trump se tornaram um grande tema da campanha depois que o jornal "New York Times" divulgou parte do seu imposto de renda de 1995 e estimou que Trump provavelmente não pagou impostos por vários anos. O empresário não negou a reportagem. Mais tarde, ele disse que tinha “usado brilhantemente” o sistema fiscal norte-americano a seu favor.

Antes disso, durante o primeiro debate presidencial com Hillary, ao responder às acusações dela sobre não pagar impostos federais, o empresário disse que isso o faria “esperto”. Suas declarações e propostas provocaram um mal-estar entre políticos republicanos e um racha no Partido. Apesar de afirmar ter US$ 10 bilhões, sua fortuna foi estimada em US$ 4,5 bilhões pela Forbes.
Donald Trump diante de seu helicóptero, em 1988 (Foto: AP)

BAIXO NÍVEL DA CAMPANHA

Durante a campanha e nos três debates presidenciais – um deles bateu o recorde da audiência –, os dois protagonizaram bate-bocas e trocaram comentários ácidos, que contribuíram para a fama do clima de baixo nível.

Trump chamou Hillary de “nasty woman" (mulher repugnante ou mulher nojenta) e disse que se fosse eleito prenderia a democrata, a quem acusou de ser mentirosa e corrupta. Em um comício, sugeriu que a candidata se drogava antes dos debates.
Trump e Hillary durante debate presidencial (Foto: Mark Ralston/Pool/AP)
A candidata democrata também fez comentários polêmicos. Hillary chamou os eleitores de Trump de “deploráveis”, e depois disse que se arrependeu. Em outra ocasião disse que o republicano chora “lágrimas de crocodilo”. Também acusou Trump de ser marionete de Vladimir Putin e provocou o republicano ao dizer que ele é tão saudável quanto o cavalo que o presidente russo monta.


Fonte: G1