Superintendente afirmou que Cremesp abrirá sindicância para apurar conduta dos médicos (Foto: Reprodução/EPTV)Superintendente afirmou que Cremesp abrirá sindicância para apurar conduta dos médicos (Foto: Reprodução/EPTV)
Pacientes denunciaram urologista e anestesista de hospital em Colina, SP. Provedor nega conhecimento sobre esquema e envolvimento da instituição.
17/11/2016 20h12 - Atualizado em 17/11/2016 20h12
Do G1 Ribeirão e Franca

O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) em Barretos (SP) vai investigar as denúncias contra dois médicos do Hospital José Venâncio, em Colina (SP), suspeitos de cobrar de pacientes por cirurgias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles podem perder o registro profissional, caso fique comprovado que agiram ilegalmente.
Segundo a Polícia Civil, dez pacientes prestaram queixa contra um urologista e um anestesista da unidade. Em um dos casos, uma mulher alega ter sido operada sem anestesia porque não pagou cerca de R$ 520 ao médico responsável pelo medicamento. Segundo ela, o cirurgião já havia cobrado R$ 1,3 mil da família para operá-la.
A pedido do Ministério Público, a Justiça afastou os médicos de suas funções no hospital. De acordo com a polícia, o provedor da instituição também é investigado. Nesta quinta-feira (17), João Pedro Silva Destri negou conhecimento sobre o esquema e disse que ele e a instituição colaboram com a investigação.
O caso corre sob segredo de Justiça.
Conduta irregular
O superintendente do Cremesp em Barretos, Marco Antonio Correia, disse que tomou conhecimento das denúncias envolvendo os médicos, após assistir a reportagem do Jornal da EPTV.
Segundo ele, será aberta uma sindicância para atuar a conduta dos dois profissionais. “Os médicos envolvidos serão ouvidos, inclusive, os pacientes que se sentiram atingidos poderão se manifestar nessa sindicância”, diz.

De acordo com Correia, se ficar comprovado que os médicos receberam duas vezes pelos procedimentos, uma pelo SUS e outra por cobrança ilegal, a punição do conselho pode chegar à cassação do registro profissional.

Investigação após cirurgia sem anestesia
A conduta dos médicos é investigada há seis meses pela Polícia Civil e pelo MP em Colina. Uma das pacientes, que prefere não ser identificada, afirma que o urologista cobrou R$ 1,3 mil pela cirurgia em um dos rins, enquanto o anestesista pediu mais 40% do valor. Como não sabia do acerto, a mulher diz que foi questionada sobre o pagamento quando já estava na sala de cirurgia.
“Ele falou que era pra eu ser sincera, se eu estava pagando ou não pela cirurgia. Eu falei pra ele que eu não sabia, que era meu filho que tinha combinado tudo. Ele falou pra enfermeira que ele não trabalhava de graça nem pra mãe dele”, afirma.
Segundo a mulher, o urologista deu início ao procedimento, mas ela reclamou que não estava anestesiada. “O médico que estava fazendo a cirurgia perguntou se ele não tinha aplicado toda a anestesia. Ele falou que tinha aplicado. Eu falei ‘não, o senhor não aplicou. Eu vi quando o senhor jogou aqui no chão’. Eu vi ele descartar, eu vi”, diz.
De acordo com a paciente, mesmo após as queixas de que estava sentindo as dores da operação, o médico continuou a cirurgia. Ela afirma que o cirurgião só parou e a anestesia só foi refeita, quando ele afirmou que havia perfurado o rim.
Enquanto esteve lúcida na mesa de cirurgia, a paciente afirma que sentiu dores aterrorizantes. “O remédio que ele punha no soro, ele punha um pouco e o resto ele punha do lado. Jogava fora. Só Deus sabe o que eu senti, só Deus sabe o que eu passei.”
Paciente afirma ter sofrido todas as dores da cirurgia porque não recebeu anestesia adequada (Foto: Reprodução/EPTV)Paciente afirma ter sofrido todas as dores da cirurgia porque não recebeu anestesia adequada (Foto: Reprodução/EPTV)
Provedor desconhece esquema
O delegado Fernando Cesar Galletti, responsável pela investigação, afirmou que outras três pessoas procuraram a delegacia em Colina nesta quinta-feira para denunciar os mesmos médicos. Galletti disse que as queixas serão apuradas.
O provedor do hospital, João Pedro da Silva Destri, negou conhecimento sobre o suposto esquema envolvendo os profissionais. “Eu desconheço se ela [paciente] pagou ou combinou alguma coisa fora daqui. Eu garanto que dentro da instituição não houve cobrança. O hospital não cobra, não faz esse tipo de serviço, e não temos essa prática aqui dentro”, diz.
O advogado de Destri, Pedro Nilson da Silva, declarou que o hospital não é investigado e que o provedor prestou os esclarecimentos solicitados pela polícia até o momento.
“O hospital recebeu várias intimações da delegacia, foi apresentada toda a documentação solicitada. O hospital comprovou que todos os atendimentos foram feitos via SUS, o hospital recebeu a verba SUS da parte do hospital. O recebimento médico é separado, não entra na contabilidade do hospital”, afirma.
O provedor do hospital nega conhecimento sobre suposto esquema de médicos em Colina, SP (Foto: Reprodução/EPTV)
O provedor do hospital nega conhecimento sobre suposto esquema de médicos (Foto: Reprodução/EPTVFonte: