Vaqueiros do Maranhão protestam em frente a Assembleia Legislativa, em São Luís (Foto: Reprodução / TV Mirante)Vaqueiros do Maranhão protestam em frente a Assembleia Legislativa, em São Luís (Foto: Reprodução / TV Mirante)

Vaqueiros maranhenses falam que decisão vai prejudicar economia.
No MA, de acordo com manifestante, são gerados mais de 700 empregos.

Do G1 MA
Uma manifestação reuniu cerca de 200 vaqueiros do Maranhão na manhã desta terça-feira (11), em frente à sede da Assembleia Legislativa, em São Luís. O protesto foi motivado pela recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar inconstitucional a vaquejada. A Polícia Militar não quis se posicionar acerca do número de manifestantes. Protestos semelhantes foram registrados em outros estados.

O ato teve o objetivo de pressionar os parlamentares maranhenses a se posicionarem na discussão. O grupo deseja que a vaquejada seja legalizada. “Na nossa opinião, a vaquejada não foi analisada como deveria. Ela tem que ser vista como uma tradição nordestina, uma grande festa. A vaquejada gera empregos e tem famílias que sobrevivem desta festa há mais de 100 anos”, disse o vaqueiro Moacir Neto.

A vaquejada é uma atividade muito comum na região nordeste. A história conta que em meados do século XIX a atividade de laçar bois que estavam espalhados por fazendas e trazê-los à força tornou-se popular na região. Isso porque não haviam cercas pelo sertão nordestino. O gado era marcado e depois criado solto.

Atualmente, considerada um esporte, dois vaqueiros tem a missão de conduzir o boi e depois derrubá-lo. Muitas vezes o animal tinha os ossos fraturados ou o rabo arrancado, motivo pelo qual STF decidiu proibir a atividade em sessão do último dia 6 de outubro.
A decisão do STF decorreu de uma lei cearense, que regulamentava a modalidade. A votação foi apertada, e por 6 a 5, os Ministros decidiram que o movimento nordestino tradicional era inconstitucional.
Os argumentos contrários ao STF pregam, principalmente, que além de tradicional, os eventos de vaquejada movimentam muito dinheiro com a geração de emprego e renda durante todo o ano. Dizem também que os animais não sofrem maus-tratos.
“Os animais que fazem parte da vaquejada são tratados com insumos agrícolas produzidos pela população do campo. Os cavalos são bem tratados e as pessoas que cuidam desses animais dependem da vaquejada. É inconcebível que você retire o emprego das pessoas. A partir do impedimento desse esporte, as pessoas vão passar necessidade já na próxima semana. Aqui no estado, mais de 700 empregos serão perdidos”, argumentou Moacir Neto.

Já para o vaqueiro Márcio Braz, a prática vem se aprimorando ao longo dos anos. “Foram adotadas mudanças como o uso do protetor de cauda para que não ocorra a mutilação, os cavalos não correm mais com a espora afiada, o chicote foi completamente abolido, a luva foi remodelada”, explicou o vaqueiro.

Segundo ele, hoje os pátios além de terem uma forração maior de areia para evitar fraturas em caso de queda, oferecem toda infraestrutura para os bois e vaqueiros, como água, comida e banho, o que não ocorria antigamente.

“Na minha visão, os bois não sofrem. Um dos argumentos dos ambientalistas é que os animais eram humilhados na vaquejada. Eu tenho quatro que são tratados com todo zelo”, retrucou.

No STF, votaram contra o relator Marco Aurélio, os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Celso de Mello, Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski. Os cinco votos favoráveis foram de Edson Fachin, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, Luiz Fux e Dias Toffoli. O julgamento começou em agosto de 2015 e teve desfecho no início do mês de outubro de 2016.
Fonte: G1 Ma