Mãe forçou criança a beber água sanitária e foi presa em Mongaguá, SP (Foto: Guilherme Lucio da Rocha / G1)Mãe forçou criança a beber água sanitária e foi presa em Mongaguá (Foto: Guilherme Lucio da Rocha / G1)









Em depoimento à polícia, mãe de criança negou ter praticado crime.
Natália Lisboa Viana da Silva, de 20 anos, está presa em Mongaguá, SP.

Guilherme Lucio da Rocha
Do G1 Santos
mulher suspeita de tentar matar a própria filha, de três anos, em Mongaguá, no litoral de São Paulo, cometeu o crime para reatar o relacionamento com o ex-marido. A Polícia Civil já pediu a prisão preventiva de Natália Lisboa Viana da Silva, de 20 anos, que segue detida à disposição da Justiça.
De acordo com a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, Alessandra Aparecida Tiritan de Souza, a mãe da criança deu entrada no hospital na última segunda-feira (13), dizendo que a filha havia ingerido água sanitária por acidente.
Três dias depois, na noite de quinta-feira (16), Nathália acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), relatando que a filha tinha ingerido o líquido novamente, também de forma acidental.
"Na segunda internação por conta do mesmo acidente, o caso acabou chamando a atenção dos enfermeiros, que acionaram a Polícia Militar, que trouxe a ocorrência até à DDM e, de início, percebemos que a história não se encaixava", explica a delegada.
Durante a manhã de sexta-feira (17), a delegada foi até a residência onde teria acontecido o acidente, acompanhada de investigadores, representantes do Conselho Tutelar e de Nathália.
A delegada percebeu durante a visita que o balde onde a criança teria tido contato com água sanitária ficava sobre uma prateleira, numa altura que impossibilitava o acesso da criança.
Casos são investigados no 2° Distrito Policial de São Vicente (Foto: G1)Suspeita foi levada até o 2° Distrito Policial de São
Vicente (Foto: G1)
Troca de mensagens
Nesse momento, Alessandra passou a ouvir o depoimento de testemunhas do caso, para tentar entender o que havia acontecido. Dentre as testemunhas ouvida pela delegada, estava uma vizinha da mãe da criança.
Segundo a investigação, desde a primeira internação da criança, na segunda-feira, Nathália utilizava o celular da vizinha para manter contato com ex-marido.
"Nas mensagens, ela se passava pela vizinha a todo momento, pois o marido tinha cortado o contato com ela. A todo momento Nathália deixava a entender que mãe e filha precisavam dele [ex-marido] de volta para casa", explica a delegada.
No incidente de quinta-feira, antes mesmo de acionar o SAMU, Nathália mandou mensagem para o marido, ainda se passando pela vizinha, afirmando que a filha havia morrido e que o ex-marido precisava reconhecer o corpo.
A delegada responsável pelo caso contou também que a suspeita deletou todas as mensagens do celular e a polícia só teve acesso as declarações graças a ajuda do pai da criança.
No hospital, a criança disse à avó que foi obrigada pela mãe a beber um copo com água sanitária misturada com água potável.
Nathália está presa na cadeia feminina anexa ao 2º Distrito Policial de São Vicente e a Polícia Civil já pediu a sua prisão preventiva.
"Ela [Nathália] negou a todo momento que tenha praticado o crime e estava estranhamente calma, durante todo o momento", completa a delegada.
Fonte: G1 SP