Estudantes se arriscam em canoas improvisadas para ir à escola no MA (Foto: Reprodução/TV Mirante)Embarcações precárias não oferecem nenhum tipo de segurança aos alunos (Foto: Reprodução/TV Mirante)
18/05/2016 10h41 - Atualizado em 18/05/2016 15h26

Transporte adequado para fazer a travessia está quebrado há seis meses.

Problema ocorre em São Luís; barcos velhos não asseguram os estudantes.

Do G1 MA , com informações da TV Mirante
Ir para a escola representa perigo para estudantes da localidade Tauá-Mirim, em São Luís. Um braço de mar separa os estudantes do colégio mais próximo. Sendo assim, eles precisam usar uma canoa improvisada e insegura para atravessarem. O barco que faria esse transporte com segurança está quebrado e não recebe reparos desde o ano passado.
Cada viagem, uma angústia. Para atravessar, os alunos até ajudam a remar, mas sempre com medo. A estudante Erica Costa de 14 anos não esconde a apreensão ao ter que se locomover nas frágeis canoas. “É muito perigoso. Às vezes a maré está muito cheia e fica dando ‘maresia’, como não tem colete fica muito perigoso para nós”, relatou.
Cerca de 80 alunos da ilha de Tauá-Mirin, na capital maranhense, precisam realizar a perigosa viagem para chegar à escola mais próxima. O que chama atenção é que o transporte adequado para realizar a travessia existe, no entanto, a embarcação quebrou seis meses atrás e nunca foi consertada.
A situação revolta, pois, antes mesmo de seguir a viagem arriscada de barco, muitos alunos já estão desgastados de outra viagem. É que não existe transporte para o local onde se embarca e muitos estudantes precisam caminhar distâncias de até quatro quilômetros debaixo de sol forte. Duas horas exaustivas de caminhada até o ponto de embarque.
Os moradores reclamam que os dois ônibus que deveriam transportar os alunos para o local da travessia também estão quebrados desde o ano passado. Somente os alunos que estudam o ensino básico não precisariam realizar toda essa viagem, uma vez que existe uma escola para eles na pequena vila.
E nesse ponto reside outro problema. A escola de ensino básico ainda não abriu as portas em 2016, e cerca de 70 alunos estão sem aulas desde janeiro. O pequeno Fabiano, de apenas 11 anos, conta como é a sua rotina. “Esse ano não fui para a escola, só fico em casa mesmo, porque não tem aula”, disse.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que um dos ônibus escolares que atendem os estudantes da comunidade já está funcionando. A Semed disse também que a lancha que faz o transporte dos estudantes está passando por reparos e que aguarda a chegada de peças. Ainda segundo a secretaria, a previsão de restabelecimento do serviço é de um mês. Sobre a escola fechada: as aulas serão retomadas na próxima semana e os dias perdidos serão repostos.

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) disse através de nota que vem acompanhando situação dos alunos de Tauá-Mirim e de outras ilhas da zona rural de São Luís desde 2011. No ano passado o órgão ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Município de São Luís, solicitando providências para a resolução do problema.

O MP-MA disse ainda que "constatou que, na ânsia de não perderem as aulas, alunos se submetem ao deslocamento em transporte precário, incluindo canoas sem coletes, colocando em risco suas vidas".

Única escola da região ainda não abriu as portas em 2016 (Foto: Reprodução/TV Globo)Única escola da região ainda não abriu as portas em 2016 (Foto: Reprodução/TV Mirante)Fonte: G1 Ma