Jucá aparece ao lado de Temer na entrega a Renan da meta fiscal para 2016, nesta segunda-feira



















O presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (RR), não suportou nem por um dia a pressão para que deixasse o Ministério do Planejamento, cargo que assumiu na data em que Michel Temer substituiu Dilma Rousseff na Presidência da República, no último dia 12 de maio.

Pressionado após a divulgação dos áudios em que aparece propondo formas de obstruir as investigações da Operação Lava Jato, Jucá anunciou à imprensa que se licenciará do cargo já a partir desta terça-feira (24). Ele não deixou claro se retornará ao Senado Federal, cargo do qual se licenciou para assumir a pasta. 

"Enquanto o Ministério Público Federal não se manifestar, vou me afastar do cargo. Entendo que isso é importante. Não quero que paire nenhuma dúvida sobre o governo", disse na tarde desta segunda-feira (23), após o governo entregar a nova meta fiscal ao Congresso Nacional. "Não cometi nenhuma irregularidade e vou ao MPF para que deixem isso claro."

Ao longo do dia, parlamentares da oposição – contrários ao governo Temer – e até da base aliada pediram para que Jucá se afastasse do ministério. Presidente nacional do PV, Ivan Valente (SP) chegou a afirmar que pediria a prisão do peemedebista. 

Durante coletiva de imprensa, Jucá afirmou que não deixaria o cargo por vontade própria – e só o faria por ordens de Michel Temer.

No final da noite, em meio ao escândalo, o presidente interino do Brasil, Michel Temer assinou a exoneração de Jucá.

Áudios comprometedores
O anúncio da saída é consequência de reportagem do jornal Folha de S. Paulo que traz gravações de conversas entre Jucá e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Os áudios foram feitos em março passado, semanas antes de a Câmara dos Deputados aprovar a abertura do processo contra Dilma Rousseff.

O interlocutor do peemedebista passou a procurar líderes do partido por temer que processos contra ele fossem migrados de Brasília para Curitiba, onde seriam julgados por Sérgio Moro.

Ainda de acordo com os áudios, Jucá classifica como grave a situação de vários políticos em relação a envolvimentos com ilícitos investigados pela Lava Jato e afirma que o primeiro a ser "comido" pela força-tarefa será o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB.