Um levantamento exclusivo do iCaxias, mostra que pelo menos 45 dos 81 senadores da República, atualmente com mandato no Congresso Nacional, respondem a inquéritos ou ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF). Isso corresponde a mais de 50% dos ocupantes de cadeira no Senado.

Eles são investigados por crimes de corrupção, fraude em licitações, crimes eleitorais, entre outros. E pelo menos 12 estão no foco da Operação Lava Jato, entre eles os três senadores alagoanos: Renan Calheiros (PMDB), Benedito de Lira (PP) e Fernando Collor de Mello (PTB).

Esses são os senadores que a partir de agora, com o prosseguimento do processo de Impeachment, decidirão o futuro da presidenta Dilma Rousseff.

É bom lembrar que o processo no Supremo não significa, de imediato, confirmação de culpa. A denúncia é feita pelo Ministério Público Federal, após investigação, e cabe ao STF, num primeiro momento, avaliar se aceita ou não os elementos acusatórios oferecidos. E somente se a denúncia for aceita, o parlamentar passa à condição de réu. Daí, o processo segue até o julgamento.

Senadores com investigações em andamento

1 - Aloysio Nunes (PSDB-SP)
O Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do Ministério Público, abriu inquérito contra o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), com base na delação premiada de Ricardo Pessoa, proprietário da construtora UTC. Ele disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o tucano teria recebido R$ 300 mil de forma oficial e R$ 200 mil em dinheiro de caixa dois para sua campanha ao Senado, em 2010. Segundo o empresário, as doações eram pagamentos de propina para a obtenção de contratos com a Petrobras. Nunes nega qualquer envolvimento com os esquemas de corrupção da estatal. 

2 - Aécio Neves (PSDB-MG)
Em abril de 2011, Aécio foi abordado em blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro e teve a CNH apreendida por estar vencida. 

Em 2015 o jornal Folha de São Paulo publicou em reportagem que o Senador foi citado em depoimento de delação de Carlos Alexandre de Souza Rocha, na Operação Lava Jato. Aécio é acusado de ter recebido de funcionários do doleiro Alberto Youssef, a quantia de trezentos mil reais através de Antonio Carlos D'Agosto Miranda diretor da UTC. A reportagem do Senador aponta nega a acusação e o depoimento foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

O senador Delcídio do Amaral acusou o senador Aécio Neves, em deleção premiada já homologada dia 15 de março de 2016 pelo STF de ter recebido vantagens ilegais na estatal de energia Furnas. Dimas 

3 - Benedito de Lira (PP-AL)

Líder do PP no Senado, ele responde no STF a três inquéritos da Operação Lava Jato. A PF encontrou anotações na agenda do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa com valores que remetem a “BL”, iniciais de Benedito de Lira. Há registro de repasse de até R$ 1 milhão. Devido às suspeitas, é investigado nos inquéritos 3989, 3994 e 3996, pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Benedito nega ter recebido dinheiro de origem ilícita.

4 - Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) é alvo do Inquérito 3404, que tramita em segredo de justiça, por crimes contra a ordem tributária e formação de quadrilha. Quando governador, o tucano foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba em julho de 2007 por uso de programa social em benefício de sua candidatura à reeleição no ano anterior. No entanto, dois dias depois, o Tribunal Superior Eleitoral concedeu uma liminar que o garantiu o cargo até julgamento final do processo. Em dezembro do mesmo ano, novamente é cassado por uso eleitoreiro de jornal estatal, chamado “A União”, durante a mesma campanha eleitoral. Mais uma vez, consegue permanecer no cargo por meio de liminar. Apenas em 2009, com o fim do processo, Cássio teve seu mandato cassado por definitivo.

5 - Ciro Nogueira (PP-PI)
Presidente nacional do PP, o Senador responde ao Inquérito 3989, da Operação Lava Jato, pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou Ciro como responsável pela indicação da distribuição dos repasses a políticos do PP após a morte do ex-deputado José Janene. O senador ainda responde ao Inquérito 3910 por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e tráfico de influência. Nesse caso, Ciro e sua esposa, a deputada Iracema Portella (PP-PI), são suspeitos de usar notas frias no aluguel de veículos de uma locadora pertencente a um deputado estadual, de quem o casal é amigo. O senador afirma que “confia no trabalho da Justiça e que a verdade prevalecerá após a conclusão das investigações”.

6 - Delcídio do Amaral (Sem Partido-MS)
Delcídio do Amaral foi preso pela Polícia Federal em 25 de novembro de 2015, por tentar dificultar a delação premiada de Nestor Cerveró, ex-executivo da Petrobras, sobre uma suposta participação do senador em irregularidades na compra da Refinaria de Pasadena, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Segundo investigadores, Delcídio chegou até a oferecer fuga a Cerveró, para que este não fizesse a delação premiada, o que, para as autoridades, constituiu-se em tentativa de obstruir a Justiça. A prova dessa tentativa é uma gravação, feita pelo filho de Cerveró, que mostra o intento do senador de atrapalhar as investigações e oferecer fuga ao ex-executivo para que este não fizesse a delação. 

Segundo relato de Nestor Cerveró aos procuradores, Delcídio do Amaral recebeu suborno de US$ 10 milhões da multinacional Alstom quando era Diretor de Óleo e Gás da Petrobras, entre 1999 e 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Nessa época, Cerveró era um de seus gerentes.

No dia 19 de fevereiro de 2016, o ministro do STF Teori Zavascki mandou Delcídio ser solto, revogando sua prisão preventiva. A decisão do ministro impõe restrições ao senador, que terá de ficar em casa no período noturno e nos dias de folga. Também não pode deixar o país e tem que se apresentar à Justiça a cada quinze dias. Nesse mesmo dia, o senador deixou a prisão, após negociar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Nesse acordo, revelações importantes foram feitas no contexto da operação Lava-Jato.

7 - Dário Berger (PMDB-SC)
O ex-prefeito de Florianópolis é suspeito de ter burlado a legislação ao contratar sem concorrência pública empresa para instalação, operação e manutenção de radares quando era prefeito da capital catarinense.Nesse caso (Inquérito 3927), o senador é investigado por crimes contra a Lei de Licitações. Ele ainda é alvo das ações penais 938 e 943 por crimes de responsabilidade e contra a Lei de Licitações.

8 - Eduardo Amorim (PSC-SC)
A Procuradoria Regional Eleitoral em Sergipe ajuizou, em dezembro de 2014, uma ação por abuso de poder no período eleitoral do mesmo ano. O candidato a vice-governador na sua chapa, Augusto do Prado Franco Neto, também é réu no processo. Segundo o MPF os dois são acusados de usar a Rede Ilha de emissoras de rádio, de propriedade da família Amorim, para divulgar sua candidatura, seja em entrevistas sobre temas diversos, debates ou participações ao vivo. A divulgação da candidatura começou antes do período eleitoral, o que rendeu ao candidato condenações por propaganda antecipada. Caso sejam condenados, Eduardo Amorim e Augusto Franco Neto poderão ficar inelegíveis por oito anos.

9 - Edison Lobão (PMDB-MA)
Atual presidente da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, o ex-ministro de Minas e Energia é investigado nos inquéritos 3986, 3977 e 3989, todos da Lava Jato. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que mandou entregar R$ 2 milhões à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney para campanha de 2010, a pedido de Lobão. De acordo com o ex-diretor, o dinheiro foi entregue pelo doleiro Youssef. Segundo a defesa do senador, a acusação, feita por Paulo Roberto, foi posteriormente desmentida por Youssef. “Não se pode abrir uma investigação contraditada,” disse a defesa.

10 - Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Eunício foi citado pelo senador Delcídio do Amaral em envolvimento corrupção nos termos da delação premiada na Operação Lava Jato homologada em 15 de março de 2016 pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

11 - Eduardo Amorim (PSC-SE)
É investigado no Inquérito 2867,que apura a prática de crimes contra a Lei de Licitações e improbidade administrativa.

12 - Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Ex-ministro da Integração Nacional, o Senador é investigado pela Operação Lava Jato no Inquérito 4005 pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que Fernando pediu ao doleiro Youssef R$ 20 milhões para a campanha ao governo de Eduardo Campos (PSB), em 2010. Na época, o senador era secretário estadual de Eduardo. “Não foi apresentada nenhuma prova ou denúncia contra o senador. Há inúmeras inconsistências nos depoimentos dos delatores”, disse a assessoria.

Ele também é investigado nos inquéritos 3958, 4064 e 4139 por crimes contra a Lei de Licitações, peculato (desviar ou apropriar-se de recursos públicos), corrupção passiva, crimes de responsabilidade e lavagem de dinheiro. “O parlamentar prestará as informações devidas quando for convocado”, responderam seus assessores.

13 - Fernando Collor (PTB-AL)
Cassado em processo de impeachment, em 1992, o ex-presidente da República é um dos investigados na Lava Jato. O senador é alvo do Inquérito 3883, 4162, 4166 e 4167 por crimes de lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva. No último dia 20, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou denúncia contra o senador, por entender que há elementos suficientes para a abertura de ação penal. Caberá aos ministros do Supremo aceitar ou não a denúncia.

14 - Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
É alvo do inquérito 2939 por crimes eleitorais. O procedimento apura se uma construtora, da qual o parlamentar foi sócio, usou recursos recebidos do governo estadual para beneficiar candidatos do PSDB nas eleições de 2002. “Flexa Ribeiro apresentou defesa demonstrando com documentos a ausência de qualquer ilicitude”, disse a assessoria.

15 - Gladson Cameli (PP-AC)
Mais jovem dos senadores, com 37 anos, Gladson responde ao Inquérito 3989, da Lava Jato, pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e formação de quadrilha. Segundo Youssef, o parlamentar fazia parte do grupo do PP que recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da cota da legenda no esquema na Petrobras. O senador diz que as doações no período eleitoral de 2014 foram obtidas de maneira lícita pelo seu comitê e aprovadas pela Justiça.

16 - Gleisi Hoffmann (PT-PR)
A paranaense é investigada no Inquérito 3979, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, da Operação Lava Jato. O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citaram a senadora em seus depoimentos. O doleiro disse que repassou R$ 1 milhão à campanha de Gleisi ao Senado em 2010, por meio de um empresário. Paulo Roberto também deu declaração semelhante. “Não temo a investigação e terei condições de provar que nada tenho com este esquema que atacou a Petrobras. Não conheço e jamais mantive contato com Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef”, assegura a senadora. Ainda é alvo do Inquérito 4130 (investigação penal).

17 - Humberto Costa (PT-PE)
Líder do PT no Senado, é investigado no Inquérito 3985, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva da Lava Jato. De acordo com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o senador recebeu R$ 1 milhão para a campanha ao Senado em 2010. “O inquérito aberto resulta de informações inverídicas prestadas em delação premiada por um réu confesso. Dadas as fragilidades jurídicas e conflitos de versões que contém, o inquérito está sendo devidamente contestado pelos advogados do senador”, disse a assessoria.

18 - Ivo Cassol (PP-RO)
Primeiro senador condenado à prisão pelo Supremo, em agosto de 2013, Cassol recorre em liberdade da pena de quatro anos e oito meses, em regime semiaberto, e da multa de R$ 201 mil a que foi sentenciado. O ex-governador de Rondônia foi considerado culpado na Ação Penal 565, por cometer crime contra a Lei de Licitações.

Segundo os ministros, ele direcionou licitações a cinco empresas de conhecidos na década de 1990, quando era prefeito de Rolim de Moura (RO). Atualmente, é o senador com mais pendências no Supremo: são dez ao todo. Além do recurso, é réu em duas ações penais (562 e 891) por calúnia e corrupção eleitoral. Cassol ainda é alvo de outros sete inquéritos (3158, 2828,3513, 3742, 3614, 3820 e 3961) por peculato, improbidade administrativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, contra o sistema financeiro e contra a Lei de Licitações.

“Responderei apenas na Justiça o que devo a ela”, respondeu o senador.

19 - Jader Barbalho (PMDB-PA)
Em 2001, Jader renunciou ao mandato de senador após ser acusado de desviar recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), da Sudam e do Ministério da Reforma Agrária. Chegou a ser preso por 16 horas pela PF sob a suspeita de integrar quadrilha acusada de desviar mais de R$ 1 bilhão desses órgãos. Por isso, desde 2004 foi réu na Ação Penal 374 por emprego irregular de verbas públicas. Complementaram a investigação as ações penais 398, 397, 498 e 653 por peculato e crimes contra o sistema financeiro. Todos esses casos foram arquivados por prescrição depois que ele completou 70 anos de idade. Jader ainda é alvo do Inquérito 3597 por crimes eleitorais.

20 - José Agripino (DEM-RN)

Presidente nacional do DEM, o senador é acusado por um delator de ter recebido R$ 1 milhão fruto de um esquema de fraudes no Detran-RN. Agripino é mencionado em delação premiada feita por um empresário potiguar na Operação Sinal Fechado. George Olímpio disse ter pago propina para aprovar, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, lei sob medida para os seus negócios no Detran estadual. O senador foi um dos beneficiados, segundo ele. O caso tramita no Supremo como Inquérito 4011, por corrupção passiva. Ele ainda é alvo do Inquérito 4141, da Operação Lava Jato, por corrupção.

Em nota à imprensa, Agripino diz não entender as razões que levaram à “reabertura deste assunto” no STF. Ele diz que o próprio acusador já o havia isentado de participação no esquema. 

21 - Jorge Viana (PT-AC)
Em 2010 elegeu-se senador. Entretanto, sua campanha eleitoral foi investigada por suposta compra de votos. Uma juíza eleitoral, que havia lhe beneficiado com liminar suspendendo a apreensão de computadores usados em sua campanha, renunciou ao cargo

22 -Lindbergh Farias (PT-RJ)
Líder do movimento que pressionou nas ruas pelo impeachment do presidente Collor, em 1992, o hoje senador responde a oito inquéritos. Um deles (3988), por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, decorre da Operação Lava Jato. Em sua delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa diz que autorizou o repasse de R$ 2 milhões desviados da estatal para a campanha ao Senado de Lindbergh, em 2010.

Os outros sete inquéritos (3079, 3334, 3616, 3135, 3124 e 3595) são por crimes de responsabilidade e contra a Lei de Licitações, improbidade administrativa, corrupção passiva etc. Todos se referem aos anos à frente da prefeitura de Nova Iguaçu (RJ).

“As investigações são preliminares e o senador não é réu, não responde a qualquer processo e nunca teve contra si qualquer condenação”, disse a assessoria.

23 - Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Foi investigado pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado, sob suspeita de ter enviado dinheiro ilegalmente a paraísos fiscais por meio das empresas Unimetro e Cremo, ligadas à Igreja Universal e Rede Record. Foi investigado também em processo contra as empresas Investholding e Cableinvest, por supostos crimes contra o sistema financeiro - o caso foi arquivado por falta de provas pelo STF em 2006.

Crivella é suspeito de agir como "laranja" da Igreja Universal, registrando em seu nome bens de propriedade da Igreja. Ele deixou de declarar à Justiça Eleitoral e à Receita a posse de duas emissoras de televisão, retransmissoras da TV Record, que é ligada à Igreja.

24 - Marta Suplicy (PMDB-SP)
Recém-filiada ao PMDB depois de ter deixado o PT, a senadora é investigada em um inquérito no STF, referente à sua passagem pela prefeitura de São Paulo, entre 2001 e 2004. Marta responde por crimes contra a Lei de Licitações (Inquérito 2687).

25 - Omar Aziz (PSD-AM)
O ex-governador é alvo do Inquérito 4054 por crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. “Não se coletou nenhum indício contra Omar. Estamos confiantes no arquivamento do inquérito”, informa a defesa do senador.

26 - Paulo Bauer (PSDB-SC)
O vice-líder da bancada do PSDB no Senado é investigado no Inquérito 3680 por peculato.

27 - Renan Calheiros (PMDB-AL)
O presidente do Senado responde, na Lava Jato, a três inquéritos (3984, 3993 e 3989) por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. É apontado por delatores como um dos beneficiários do esquema de corrupção na estatal. Segundo Paulo Roberto Costa, Renan agia por meio do deputado peemedebista Aníbal Gomes (CE), que se apresentava como seu emissário na hora de cobrar propina em troca de contratos fechados por grandes empresas com a estatal.

O senador ainda é alvo do Inquérito 2593, que apura denúncia que o levou a renunciar à presidência do Senado, em 2007. Desde janeiro de 2013, há um parecer da Procuradoria da República oferecendo denúncia contra o parlamentar no caso. Dois anos e meio depois, o pedido não foi analisado. Renan é acusado de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

A PGR sustenta que o senador enriqueceu ilicitamente, forjou documentos para comprovar que tinha recursos para bancar despesas pessoais e teve evolução patrimonial incompatível com o cargo. 

28 - Roberto Requião (PMDB-PR)
É investigado no Inquérito 3526 por calúnia e difamação. O autor da denúncia é Nelson Pessuti, irmão de Orlando Pessuti, que foi vice de Requião quando o peemedebista era governador do Paraná. O senador explica que se manifestou nas redes sociais acerca de denúncias de desvio de recursos na imprensa oficial do estado do Paraná. “A representação foi feita por um terceiro, que se sentiu atingido com a notícia. As ações cíveis já foram julgadas e vencidas pelo senador”, afirma a assessoria de Requião.

29 - Romero Jucá (PMDB-RR)
O atual segundo-vice-presidente do Senado é alvo de quatro investigações. No Inquérito 3989, da Lava Jato, Jucá responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Também é investigado nos inquéritos 3297, 2116, 2963 por crimes eleitorais, de responsabilidade e contra a ordem tributária, apropriação indébita previdenciária e falsidade ideológica.

Um dos procedimentos diz respeito à origem e ao destino de R$ 100 mil jogados para fora de um carro por um de seus auxiliares momentos antes de ser abordado pela polícia. O ato ocorreu durante a campanha eleitoral de 2010. O assessor disse que o dinheiro seria usado na campanha de Jucá.

30 - Sérgio Petecão (PSD-AC)
Responde a duas ações penais (542 e 880) e dois inquéritos (3598 e 3851) por crimes eleitorais e peculato. No primeiro caso, é acusado de ter se apropriado de recursos de passagens aéreas e de correspondência, entre 1995 e 1998, quando era deputado estadual. No segundo, Petecão é investigado por compra de votos na cidade de Rio Branco, nas eleições de 2006. A denúncia é de que o senador ofereceu dinheiro e asfaltamento de ruas em troca de votos. A assessoria do parlamentar atribui as denúncias a disputas políticas locais.

“Por ser parlamentar que se opõe ao governo do Acre, o senador vem enfrentando perseguições políticas” alega o gabinete.

31 - Simone Tebet (PMDB-MS)
A ex-prefeita de Três Lagoas (MS) e ex-vice-governadora é investigada em um inquérito (4053) por crimes de responsabilidade. “Esclareço que ainda não fui notificada oficialmente sobre o teor dos inquéritos”, afirma a senadora.

32 - Valdir Raupp (PMDB-RO)
O atual vice-presidente do PMDB é réu no processo que tramita há mais tempo no Supremo, entre aqueles que envolvem parlamentares. O ex-governador de Rondônia é réu na Ação Penal 358, por peculato, desde 2003. Raupp é acusado de liderar um esquema que, segundo a denúncia, desviou R$ 10 milhões do governo estadual para grupos de comunicação em troca de apoio político. O senador é réu em outras duas ações penais (383 e 577) por crimes eleitorais e contra o sistema financeiro nacional. É investigado pela Lava Jato nos inquéritos 3982 e 3989, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele ainda é alvo do Inquérito 4129 por peculato e formação de quadrilha.

33 - Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Responde ao Inquérito 3368 por crimes eleitorais. Durante a corrida eleitoral para o Senado, em 2010, R$ 88 mil foram apreendidos em poder do presidente da Câmara Municipal de Amaturá (AM). Junto com o dinheiro, havia material de campanha de Vanessa. De acordo com o Ministério Público, há indícios de que a verba seria usada para compra de votos. A senadora afirma que o Ministério Público não imputou a autoria de qualquer delito a ela. “O MP recorreu da decisão do juiz eleitoral de enviar o processo ao STF, pois a simples apreensão de material em seu comitê é insuficiente para responsabilizá-la criminalmente”, disse a assessoria.

34 - Wilder Morais (PP-GO)
Conversas telefônicas usadas pela PF durante a Operação Monte Carlo acusam que Carlinhos Cachoeira atuou para que Wilder Pedro de Morais fosse o senador suplente de Demóstenes Torres que teve seu mandato cassado no dia 13 de julho de 2012.

Wilder, um dos empresários mais ricos de Goiás, enfrenta denúncias relativas à omissão de grande parte de seus bens na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apenas na Junta Comercial de Goiás, registros mostram que Wilder é sócio-proprietário de 24 empresas. Na declaração de bens ao TSE, são listadas somente 15 empresas e um patrimônio de apenas R$ 14,4 milhões.

Senadores que tiveram investigações arquivadas recentemente e não respondem mais ao Supremo:

35 - Acir Gurgacz (PDT-RO)
Líder do PDT no Senado, responde ao Inquérito 3348 por crime contra a Lei de Licitações. O caso se refere à compra de combustíveis sem licitação pela prefeitura de Ji-Paraná, na época em que Gurgacz era prefeito. “Não houve prejuízo algum aos cofres públicos nem a intenção de favorecer fornecedor de combustível”, alega o senador. A investigação foi arquivada por prescrição no dia 6 de outubro de 2015.

36 - Ângela Portela (PT-RR)
A senadora era investigada no Inquérito 4035 por crime eleitoral. Era suspeita de ter comprado votos em viagem a uma comunidade indígena durante a campanha eleitoral de 2014. Mas o inquérito foi arquivado, por decisão do ministro do Supremo Roberto Barroso.

37 - Antônio Anastasia (PSDB-MG)
Único tucano investigado pela Operação Lava Jato no Supremo, no Inquérito 3963, o ex-governador é suspeito de ter recebido R$ 1 milhão do esquema de corrupção na Petrobras. A investigação foi arquivada no dia 29 de outubro por falta de provas.

Cabe ao ministro Teori Zavascki, relator do caso, determinar o arquivamento. Mas, pelas regras do tribunal, um ministro não pode contrariar as recomendações de arquivamento feitas pela PGR.

38 - João Capiberibe (PSB-AP)
Em 2002, João Capiberibe e sua mulher Janete Capiberibe, que era deputada federal, foram acusados da comprar dois votos por 26 reais cada. Eles foram absolvidos pelo TRE do Amapá do processo movido contra eles pelo PMDB do senador José Sarney, mas acabaram tendo o mandato cassados pelo TSE. Em 2010, foi candidato ao Senado, mas teve sua candidatura impugnada por força da Lei da Ficha Limpa, causado pela cassação em 2005. 

Barrado pela Lei da Ficha Limpa, apesar de ter sido eleito senador pelo Amapá com mais de 130 mil votos. Com a decisão do STF que derrubou a validade da norma nas eleições de 2010 João Capiberibe foi então liberado para assumir o cargo de Senador. Em 3 de novembro de 2011.

39 - Magno Malta (PR-ES)
Em 2007, seu nome foi envolvido entre os políticos que desviaram recursos públicos destinados para compra de ambulâncias no Ministério da Saúde. A família Ventoin, dona da empresa Planam, afirmou ter dado um Fiat Ducato para Malta como parte do pagamento de propina pela apresentação e liberação de uma emenda parlamentar para aquisição de ambulâncias. Chegou a ser indiciado pela CPI dos Sanguessugas, mas, acabou absolvido na Comissão de Ética do Senado que seguiu o parecer do relator Demóstenes Torres, que orientava arquivamento por falta de provas, em 28 de novembro daquele ano.

40 - Paulo Bauer (PSDB-SC)
Bauer teve o nome citado em relação ao emprego de funcionários fantasmas quando deixou a Câmara dos Deputados para ser secretário de Estado em Santa Catarina. O senador também foi acusado de superfaturar o aluguel de um carro de luxo usado para seu transporte em Santa Catarina, através de denúncia do site Congresso em Foco, especializado em acompanhar as ações na casa. Além de ter tido um assessor seu envolvido no escândalo da farra das passagens

41 - Telmário Mota (PDT-RR)
Até recentemente, era investigado no Inquérito 4035, por crime eleitoral, mas o procedimento foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele ainda é réu na Ação Penal 932, por apologia ao crime e formação de quadrilha, mas o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a sua absolvição no processo. Telmário foi acusado de organizar rinhas de galo em uma fazenda no interior de Roraima em 2005. “Durante a fiscalização do local, o senador estava distante da abordagem policial, pois participava apenas da festa”, explica a assessoria de Telmário.

42 - Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Os maiores escândalos envolvendo o nome de Tasso Jereissati foram aqueles ligando-o ao desvio de verbas no BEC (Banco do estado do Ceará) e na Sudene. O caso do avião fretado com dinheiro do senado teve ampla divulgação na mídia nacional. 

43 - Zezé Perrella (PTB-MG)
Em 2013, seu nome esteve vinculado à notícia de apreensão de mais de 400kg de pasta base de cocaína. A droga estava em um helicóptero de propriedade da família de Zezé Perrella, quando aterrissava em uma fazenda em Afonso Cláudio, no Espírito Santo.

44 - Paulinho Rocha (PT-PA)
Em 2005 era o líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados quando surgiu o Escândalo do Mensalão. Seu nome esteve entre os implicados com a revelação de que uma assessora sua fez saques das contas de Marcos Valério no Banco Rural no valor de R$ 620 mil. Renunciou à liderança do partido e mais tarde ao cargo de deputado. Na ação Penal 470, respondia pelo crime de lavagem de dinheiro. Foi o único político do PT absolvido no dia 23 de outubro de 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

45 - Wellington Fagundes (PR-MT)
É investigado no Inquérito 3496 por peculato. “Este inquérito trata-se de supressão vegetal às margens da BR-163, devidamente autorizada pelo órgão ambiental, sem nenhuma participação do, à época, deputado. O senador sequer foi indiciado na mencionada investigação e nunca foi chamado a prestar qualquer esclarecimento sobre o caso”, ressalta a assessoria.

Mano Santos, especial para o iCaxias
Colaboração Congresso em Foco e Wikipédia