Mãe morreu três dias após dar à luz na Santa Casa de Pirassununga (Foto: Arquivo Pessoal)Mãe morreu três dias após dar à luz na Santa Casa de Pirassununga (Foto: Willian Silva/Arquivo Pessoal)

Segundo a família, vítima recebeu alta mesmo se queixando de muita dor.
Diretor da Santa Casa de Pirassununga acredita em aneurisma no abdômen.

Do G1 São Carlos e Araraquara
A Polícia Civil de Pirassununga (SP) instaurou um inquérito para investigar a morte de Deiseane Cristina Ghinter Vieira, de 27 anos, que morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa da cidade três dias depois de dar à luz. A família acredita que houve imperícia médica e o hospital defende a hipótese de aneurisma no abdômen.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no dia 29 de março, a vítima deu à luz por parto normal e voltou ao hospital três vezes em dois dias, apresentando dores, sangramento e pele arroxeada.
Eu só quero justiça,
quero ganhar alguma
indenização para conseguir
cuidar da nossa família
como ela faria"
Willian Calixto da Silva, marido
No prontuário médico da dona de casa, constam choque séptico, abdômen distendido e taquicardia, e não há um laudo com a causa da morte porque a família optou por não realizar a necrópsia.
“O corpo ia para Limeira e não sabia quanto tempo ia ficar lá. Quando voltasse, já ia enterrar e o caixão ficaria lacrado. Eu queria fazer o velório dela, queria enterrar, mas disseram que o corpo ia demorar”, disse Willian Calixto da Silva, pai do bebê e de outros dois filhos com Deiseane.
“Minha filha pequena só fala na mãe, meu filho está sendo cuidado pela sogra. Eu só quero justiça, quero ganhar alguma indenização para conseguir cuidar da nossa família como ela faria”, concluiu.
Retorno ao hospital
Deisiane entrou em trabalho de parto no dia 24 de março e sua filha nasceu pré-matura. Segundo a família, mesmo com fortes dores relatadas para as enfermeiras, a mãe teve alta  na tarde do dia 25 e foi para casa com o bebê. Algumas horas após sair o hospital, ela se sentiu mal e foi até o pronto-socorro, onde foi diagnosticada com constipação intestinal, foi medicada e liberada.
No dia seguinte, a dona de casa teve sangramento e voltou ao hospital. Medicada, a mulher ficou em observação durante cerca de 5 horas e começou a apresentar pés, olhos, orelhas e mãos arroxeados e pele gelada. Por volta das 19h, Deisiane foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, de acordo com a família, passou por um ultrassom transvaginal que apontou suspeita de restos placentários. Pouco depois, por volta das 20h, ela faleceu.
Santa Casa
Segundo o diretor técnico da Santa Casa, a paciente pode ter forçado um aneurisma na hora do parto e, por isso, o quadro evoluiu rápido demais. “A minha equipe médica conversou sobre o caso e, depois de verificar todos os sintomas, a única hipótese válida que pode ter sido causa da morte é um possível aneurisma no abdômen, que acaba sendo ainda mais forçado”, explicou o médico Octavio Morales, refutando a presença de restos placentários como causa da morte.
Santa Casa de Pirassununga aguarda exames para confirmar doença (Foto: Ely Venâncio/EPTV)Diretor da Santa Casa diz que aneurisma pode ter
levado paciente à morte (Foto: Ely Venâncio/EPTV)
“Se houvesse algum resto placentário seria mínimo e sairia sozinho, mas não há hipótese de que tenha sido a causa da morte por não ter nem constado nos exames realizados. Os exames de H1N1 e dengue também deram negativo", disse Morales. "Tudo que pudemos fazer nós fizemos”, afirmou.
Ainda de acordo com o diretor, o aneurisma poderia ser diagnosticado em uma tomografia e solucionado com uma cirurgia, mas a paciente não tinha condições de fazer o exame e nem de sair do hospital para a operação devido ao seu quadro clínico.
Justiça
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso. Os materiais e documentos da Santa Casa sobre o atendimento serão recolhidos e os envolvidos serão interrogados.
“Agora será apurado o homicídio culposo por imperícia médica. Temos que fazer com que esse inquérito ande para apurar as responsabilidades de quem teve responsabilidades no caso. Até o momento, a Santa Casa não alegou nada, não se posicionou para nós, mas acreditamos que tudo vai dar certo. Vamos conseguir descobrir os responsáveis por essa infelicidade”, disse o advogado da família, Luiz Henrique Druziane.
Fonte: G1 Ma