O pula-pula procura um luz no fim do túnel para tentar barganhar migalhas de políticos


O primeiro nome começa com “A”, o segundo com “N”. Ele é publicitário e, sim, gosta de publicidade. Usa o Facebook para tratar de assuntos de interesse público, mas só resolveu fazer isso em 2016, porque é ano de eleição. Gosta de ler livros de política, marketing e coisa do tipo. Aprende várias coisas com essas obras: 1) Para aparecer é preciso ser visto; 2) Não importa a causa, invista sempre nos efeitos, de preferência especiais; 3) Todo esnobe, tende a suprir, seja o ego, a conta bancária ou a promessa de uma campanha daqui a alguns meses.

AN, ao que parece, curte um PV, um Nirvana e um UFC. É gente como a gente, raso como um pires e profundo como uma caneca de latão. De tudo entende um pouco, e de muito mesmo, só o cartão de memória do celular, pra tirar muita selfie. Publicitário descolado é assim: vacilou, Insta em mim.

Talvez, por ser criativo, demasiadamente criativo, AN goste de figuras rebeldes, com cabelos compridos, 99% anjo e 1% vagabundo. Ele externaliza para quem quiser ver, basta acompanhá-lo no FB. Ele incita inúmeras manifestações de apoio de pessoas que pensam como ele e rezam na mesma cartilha: o ruim pode ser bom, desde que sirva a mim.

Ele é filósofo, antropólogo, podólogo, museólogo e tanatólogo. É preciso explicar por partes, usando o método Jack Estripador. Filósofo, porque sabe que nada sabe. Antropólogo, porque estuda o homo cabeludus e suas interações com a sociedade. Podólogo, porque estuda os pés e gosta mesmo de ser capacho. Museólogo porque curte uma velharia, seja ideológica ou capilar.

A quinta e última definição – Jah seja louvado, somos todos do PV, e Eduardo Jorge sabe disso – é que ele adora uma morte, principalmente de criancinhas, fazendo de tudo para ser sensível à dor dos pais, mas querendo mesmo é um votinho em gestação.

Talvez, e nada mais do que talvez, AN seja um portador da síndrome de “Aquinonten”: aquinonten coerência, aquinonten criatividade, aquinonten vergonha na cara, aquinonten perspectiva de futuro, aquinonten tábua de salvação etc. Ad infinitum. AN tem cara de bobo, mas só a cara mesma, porque o resto é uma toupeira.