Incêndio na Terra Indígena Caru, no Maranhão (Foto: Survival International)Incêndio na Terra Indígena Caru, no Maranhão (Foto: Survival International)

'Padrão indica que os incêndios são intencionais', diz Survival International.
Organização também cobra ações do governo.

Do G1 MA
A Organização não governamental (ONG) Survival International afirmou, por meio de nota enviada à imprensa mundial, nesta quinta-feira (10), que "gangues de madeireiros" são responsáveis por iniciarem os incêndios nas terras indígenas do Maranhão.
"O padrão indica que os incêndios são intencionais, ao invés de focos naturais da temporada de seca. Também em outros lugares do Brasil, madeireiros iniciam incêndios para tentar forçar indígenas a deixarem suas terras", diz o texto da organização.
Um incêndio de grandes proporções está atingindo a Terra Indígena Caru, na região oeste do estado maranhense, há pelo menos duas semanas. No mês de outubro, umincêndio de mais de 40 dias destruiu quase a metade da Reserva Indígena Araribóia, no centro do Maranhão.
"Esses incêndios são um modo de agir da máfia madeireira que atua impunemente no Maranhão. Enquanto poderosos interesses escusos existirem com a finalidade de retirar os indígenas de suas terras ancestrais e ignorar seus direitos para explorar a Amazônia, catástrofes assim continuarão a acontecer", avisa o diretor da Survival International, Stephen Corry.
Críticas
A instituição acusa representantes de órgãos públicos de firmarem acordo com madeireiros. "O governo do Maranhão enviou apenas apoio mínimo para a região. Essa atitude já foi tomada outras vezes e pode ser resultado da proximidade de oficiais do governo com a poderosa indústria madeireira", conclui.
Survival International foi fundada em 1969, com sedes em sete países: Inglaterra, Estados Unidos, França, Itália, Países Baixos, Espanha e Alemanha. A instituição atua em favor dos direitos dos povos indígenas "à vida, à terra e ao futuro".
"Apesar de um chamado global por ação para proteger a floresta amazônica e impedir que os indígenas Awá sejam aniquilados, até agora as autoridades fizeram muito pouco para conter o fogo", observa o texto da instituição.
G1 entrou em contato, às 16h29 (horário local), com a assessoria do governo do Estado, que ficou de enviar nota sobre o assunto. Até a publicação, não houve retorno.
Fonte: G1 Ma